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Malária é a principal causa de morte e absentismo

5 de Maio, 2012por Hermenegildo Tchipilica
Relatório sobre a malária refere que em 2010 havia 3,7 milhões portadores da doença em Angola. A OMS alerta que o uso de mosquiteiros pode reduzir em 20% a mortalidade infantil.

A malária é «um problema de saúde pública e a principal causa de morte e de absentismo laboral e escolar», realça o Inquérito de Indicadores da Malária em Angola de 2011, divulgado no Dia Mundial da Luta Contra a Malária, que se assinalou a 25 de Abril. Só em 2010, o número de casos de morbilidade chegou aos 3,7 milhões.

O relatório – a que o SOL teve acesso – refere que a malária esteve na origem de «cerca de 35% dos episódios de consultas médicas, 20% dos internamentos hospitalares, 40% das mortes perinatais e 25% dos casos de mortalidade materna».

Casos diminuem

Entre 2006 e 2010, segundo o Programa Nacional de Luta Contra a Malária, foram contabilizados, em média, por ano, cerca de quatro milhões de casos – observando-se uma tendência de decréscimo. Em 2011, Angola registou menos 700 mil doentes com malária, ficando pela primeira vez abaixo dos três milhões.

No Inquérito de Indicadores da Malária em Angola de 2011 (IIMA 2011), o segundo que se realiza no país, foram avaliados «comportamentos relativos à prevenção e tratamento da malária e a estimativa da prevalência da malária entre as crianças menores de cinco anos». E de acordo com o inquérito – que recolheu dados de 8.630 agregados familiares e 8.589 mulheres de 15 a 49 anos de idade – «10% das crianças testadas apresentaram resultados positivos para a malária». O estudo demonstra que a prevalência tende a aumentar à medida que as crianças crescem: é de 8% nas crianças dos 6 aos 23 meses; e de 11% nas crianças entre os 36 e os 59 meses.

Doença afecta mais zonas rurais e pessoas pobres

O IIMA 2011 refere ainda que nas zonas rurais a prevalência é significativamente maior (situa-se nos 14%) que nas zonas urbanas (1%) e também muito maior na região epidémica (16%) que em Luanda (2%).

A prevalência da doença é de 15% e 20% nos dois quintiles (escalões) de riqueza mais baixos, enquanto nos dois quintiles mais altos é apenas de 5% e 3%. Estas conclusões demonstram que a malária em Angola tem um impacto negativo sobre a saúde das populações, mas também ao nível do desenvolvimento social, tornando as pessoas mais pobres.

A doença é endémica nas 18 províncias do país, mas, segundo o relatório, «a transmissão mais elevada regista-se nas províncias de Cabinda, Uíge, Malange, Kuanza Norte, Lunda Norte e Luanda Sul». Mas ocorrem ainda surtos epidémicos nas províncias do Namibe, Cunene, Huíla e Kuando Kubango – situação que se agrava durante a estação das chuvas, «com pico entre os meses de Janeiro e Maio».

Investir para reduzir

A Organização Mundial de Saúde (OMS), aproveitando a celebração do Dia Mundial da Luta Contra a Malária, veio recomendar o uso de mosquiteiros tratados com insecticidas – «são ferramentas simples e baratas que ajudam na redução da mortalidade infantil em mais de 20% e que reduzem para metade os casos de malária». Em comunicado, a OMS sublinha que ainda assim há sinais positivos: «Os estudos mostram que 96% das pessoas possuem mosquiteiros e usam-nos».

Nos últimos dez anos, segundo aquela organização, as taxas de mortalidade por malária em África «decaíram um terço», enquanto 35 dos 53 países afectados por esta doença fora de África «reduziram o número em mais de 50%».

A OMS observa que «é imenso o impacto da malária no crescimento económico e no desenvolvimento, no custo das famílias, das empresas e das nações» e indica que a doença «afecta negativamente o PIB dos países em até 1,3%».

Por essa razão, a agência de saúde destaca que as empresas africanas que investem no controlo da malária «têm tido um forte retorno do investimento da doença, reduzindo significativamente o absentismo e um estudo mostrou uma média de 28% da taxa anual de retorno interno».

Em comunicado, a OMS divulga que «muitos países endémicos da malária têm aumentado os gastos domésticos nos esforços do controlo: 42 países aumentaram os gastos por USD (dólares americanos) 1000 per capita entre 2000 e 2010».

Mas aquele organismo internacional considera que é preciso ir mais além: «Se apenas 1% do financiamento nacional dos países endémicos for disponibilizado para o controlo da malária, 75 países poderiam adquirir mosquiteiros tratados com insecticida, suficientes para cobrir toda a população em risco».

hermenegildo.tchipilica@sol.co.ao




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