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'Explosão' no comercio cría 206 mil empregos

26 de Maio, 2012por Ricardo Nabais
O investimento público em lojas de proximidade, mercados municipais, supermercados e centros logísticos vai aumentar 1.500% em 2012 face ao ano passado, revela uma análise do departamento de research do BES, que aponta o comércio como um dos sectores mais promissores da economia angolana.

Segundo o Africa Sectorial Outlook - Realizar o Potencial, o Governo angolano vai investir este ano 41,9 milhões de dólares em prol do desenvolvimento do sector, valor que compara com os 2,5 milhões aplicados em 2011. De 2006 até ao final de 2012, o investimento público no comércio vai superar 1,8 mil milhões de dólares, gerando 205,8 mil empregos.

O estudo, a que o SOL teve acesso, explica que, só este ano, o Executivo vai investir 6,7 milhões de dólares em lojas de proximidade, 8,4 milhões em mercados municipais, 2,5 milhões na construção do Nosso Super, em Luanda, e 1,7 milhões na compra de equipamentos para entrepostos logísticos.

 

1,8 mil milhões aplicados até ao final do ano

O desenvolvimento do comércio (com a hotelaria e restauração é já o segundo sector com mais peso no PIB, a seguir à indústria extractiva) tem estado entre as prioridades públicas desde 2006, no âmbito do chamado Programa de Reestruturação Logística e de Distribuição de Produtos Essenciais à População (PRESILD).

Este programa traduz-se em investimentos de 1,8 mil milhões de dólares e vai gerar um total de 205,8 mil empregos. Uma parte centra-se no mercado grossista, o que inclui a construção de oito centros de logística e de distribuição e de um mercado abastecedor (870 milhões, com 30.100 empregos criados).

No retalho, o PRESILD passa pela construção de 31 supermercados e duas centrais de distribuição, vários estabelecimentos da rede Nosso Super e uma rede de distribuição de proximidade, além de 162 mercados municipais. Contas feitas, a componente retalhista do PRESILD implica um investimento de cerca de 817 milhões de dólares, que criará 168,7 mil empregos. Por fim, o PRESILD contempla a construção de 20 zonas de urbanismo comercial (130 milhões de dólares, 6.980 empregos).

No quadro do PRESILD, explica o estudo do BES, «o Estado promove as infra-estruturas físicas a criar e, posteriormente, concessiona a gestão desses espaços aos empresários». Este investimento é justificado com «o bom dinamismo da economia angolana», que confere ao sector «múltiplas oportunidades, suportadas numa dimensão potencial significativa do mercado interno e no crescimento do poder de compra». Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB per capita angolano aumentou, entre 2000 e 2011, de 585 para 5.061 dólares, podendo atingir os 6.392 dólares em 2016.

Os investimentos no sector do comércio fazem parte do esforço público em diversificar a economia e visam resolver um dos problemas de Angola: a precariedade das estruturas comerciais. «As existentes [até ao arranque do PRESILD] eram frágeis, não garantindo o abastecimento global da população, quer em termos de quantidades, quer em termos de higiene», explica a análise do BES.

O estudo destaca que «era vital a organização e o desenvolvimento do sector do comércio como garante da estabilidade do país e da melhoria da qualidade de vida».

 

Privados investem

Além dos esforços públicos, também os privados, incluindo portugueses, investem cada vez mais neste sector. O caso mais recente é o do centro comercial inaugurado no final de Abril pela Stockash e pela Seaside no Cacuaco, num investimento de 8 milhões de dólares.

O BES destaca os casos do Grupo Teixeira Duarte – que desde 1996 tem vindo a apostar no comércio alimentar no formato de cash & carry através da Maxi Retail – e da Sonae, que deverá investir a partir deste ano 100 milhões de dólares em pelo menos quatro hipermercados Continente em Luanda. Os franceses da Auchan, por seu turno, exploram o Jumbo, e os sul-africanos da ShopRite detêm oito lojas.

O documento do departamento de research do banco português – dono de 51% do BESA – sublinha ainda que as perspectivas de construção de centros comerciais «são animadoras, prevendo-se que, num futuro muito próximo, já exista um número significativo de investimentos». Entre eles estão o Belas Shopping (o primeiro espaço de grande dimensão em Angola, inaugurado em 2007), o Millennium Shopping (no Lubango), o Ginga Shopping (em Viana), o Shopping Fortaleza (próximo da Fortaleza de Luanda), o Luanda Shopping (integrado no complexo Comandante Gika, em Alvalade, Luanda) e o Atrium Nova Vida (Sul de Luanda).

«Em paralelo, os retail parks, uma sequência natural dos centros comerciais, vão igualmente surgindo no mercado angolano, destacando-se o Lobito Retail Park e o Luana Retail Park», afirma o estudo.

O documento do BES aborda as economias de sete países africanos – Angola, Moçambique (ver texto ao lado), África do Sul, Argélia, Marrocos, Líbia e Cabo Verde – onde o banco tem presença, dando conta do seu posicionamento gradual, em concorrência e em complementaridade, com outros espaços económicos.

O peso de África na economia global é de 2,9%, mas o continente «evidencia um crescimento positivo». O desenvolvimento africano é «uma realidade incontornável que resulta de crescimentos esperados em sectores como a agricultura e alimentação, as infra-estruturas, a energia, as telecomunicações, os minérios e os serviços financeiros».

 

Turismo pesa em Cabo Verde

O turismo tem sido «um elemento central» no desenvolvimento económico de Cabo Verde, mas o potencial do país neste sector «está longe de estar esgotado», assinala a análise do banco português.

A actividade está, contudo, fortemente dependente de turistas europeus, tendência que o país tem procurado atenuar com a conquista de novos mercados. Cabo Verde é o 12.º país, à escala global, em termos de peso do turismo na economia, sendo o 9.º no que concerne às expectativas de crescimento da actividade.

ricardo.nabais@sol.pt




3 Comentários
jag0509
26.05.2012 - 23:27
Boa noite,
Após a leitura deste artigo, qualquer leigo diria, graças a deus! O governo Angolano acordou para uma realidade!
Mas isto não é verdade. O governo Angolano já iniciou alguns dos projectos à vários anos. Um deles, o projecto PRESILD.
O projecto PRESILD teve o seu início em 2006, até à data julgo que não haja quem saíba quanto lá se investiu ou gastou!
O projecto, chegou a ter em funcionamento 2 centrais disttribuidoras e cerca de 30 lojas. Mas, em finais de 2010, 4 anos após o seu início poucas eram as lojas que estavam operacionais.
Quanto ao presente artigo e por sua vez o relatório do BES, resta-me dizer que estão a subestimar a distribuição alimentar informal. Este mercado, apesar de ser de extrema complexidade quantificar o seu peso, na minha opinião este valerá cerca de 80%. Isto é, todo as organizações que vocês mencionam representam uma quota de mercado de 20%.
Falando do mercado com maior peso, o informal, posso dizer-vos que existe alguns organizações com perfomances de crescimento que fazem inveja a muitas organizações. Uma dessas empresas, nos primeiros deste ano comparativamente com o ano anterior está com um crescimento de 500% a 600%. Posso informar que em muitos produtos que comercializam, eles que importavam 1 a 2 contentores por mês. Nestes últimos meses, têm importados cerca de 6 a 12 contentores/mês.
Como podem verificar, são estas as empresas pouco ou nada conhecidas que se preocupam com a oferta dos melhores preços aos consumidores. Ao contrário de muitas empresas do segmento formal, sejam elas Super's ou Cash's, que ainda continuam com um politica de preços sem qualquer tipo de critério.
Ainda recentemente fui visitar um cash em local de referência, em que os preços eram muito semelhantes a uma loja gourmet! Sem falarmos da vandalheira organizativa! Não volto lá!
Tinha muito mais para dizer e até esclarecer o autor deste artigo, assim como o relatório do BES. Mas, o espaço é limitado!
Resta-me desejar a todos, bom trabalho!

jag0509
26.05.2012 - 23:27
Boa noite,
Após a leitura deste artigo, qualquer leigo diria, graças a deus! O governo Angolano acordou para uma realidade!
Mas isto não é verdade. O governo Angolano já iniciou alguns dos projectos à vários anos. Um deles, o projecto PRESILD.
O projecto PRESILD teve o seu início em 2006, até à data julgo que não haja quem saíba quanto lá se investiu ou gastou!
O projecto, chegou a ter em funcionamento 2 centrais disttribuidoras e cerca de 30 lojas. Mas, em finais de 2010, 4 anos após o seu início poucas eram as lojas que estavam operacionais.
Quanto ao presente artigo e por sua vez o relatório do BES, resta-me dizer que estão a subestimar a distribuição alimentar informal. Este mercado, apesar de ser de extrema complexidade quantificar o seu peso, na minha opinião este valerá cerca de 80%. Isto é, todo as organizações que vocês mencionam representam uma quota de mercado de 20%.
Falando do mercado com maior peso, o informal, posso dizer-vos que existe alguns organizações com perfomances de crescimento que fazem inveja a muitas organizações. Uma dessas empresas, nos primeiros deste ano comparativamente com o ano anterior está com um crescimento de 500% a 600%. Posso informar que em muitos produtos que comercializam, eles que importavam 1 a 2 contentores por mês. Nestes últimos meses, têm importados cerca de 6 a 12 contentores/mês.
Como podem verificar, são estas as empresas pouco ou nada conhecidas que se preocupam com a oferta dos melhores preços aos consumidores. Ao contrário de muitas empresas do segmento formal, sejam elas Super's ou Cash's, que ainda continuam com um politica de preços sem qualquer tipo de critério.
Ainda recentemente fui visitar um cash em local de referência, em que os preços eram muito semelhantes a uma loja gourmet! Sem falarmos da vandalheira organizativa! Não volto lá!
Tinha muito mais para dizer e até esclarecer o autor deste artigo, assim como o relatório do BES. Mas, o espaço é limitado!
Resta-me desejar a todos, bom trabalho!

jag0509
26.05.2012 - 23:27
Boa noite,

Após a leitura deste artigo, qualquer leigo diria, graças a deus! O governo Angolano acordou para uma realidade!
Mas isto não é verdade. O governo Angolano já iniciou alguns dos projectos à vários anos. Um deles, o projecto PRESILD.
O projecto PRESILD teve o seu início em 2006, até à data julgo que não haja quem saíba quanto lá se investiu ou gastou!
O projecto, chegou a ter em funcionamento 2 centrais disttribuidoras e cerca de 30 lojas. Mas, em finais de 2010, 4 anos após o seu início poucas eram as lojas que estavam operacionais.
Quanto ao presente artigo e por sua vez o relatório do BES, resta-me dizer que estão a subestimar a distribuição alimentar informal. Este mercado, apesar de ser de extrema complexidade quantificar o seu peso, na minha opinião este valerá cerca de 80%. Isto é, todo as organizações que vocês mencionam representam uma quota de mercado de 20%.
Falando do mercado com maior peso, o informal, posso dizer-vos que existe alguns organizações com perfomances de crescimento que fazem inveja a muitas organizações. Uma dessas empresas, nos primeiros deste ano comparativamente com o ano anterior está com um crescimento de 500% a 600%. Posso informar que em muitos produtos que comercializam, eles que importavam 1 a 2 contentores por mês. Nestes últimos meses, têm importados cerca de 6 a 12 contentores/mês.
Como podem verificar, são estas as empresas pouco ou nada conhecidas que se preocupam com a oferta dos melhores preços aos consumidores. Ao contrário de muitas empresas do segmento formal, sejam elas Super's ou Cash's, que ainda continuam com um politica de preços sem qualquer tipo de critério.
Ainda recentemente fui visitar um cash em local de referência, em que os preços eram muito semelhantes a uma loja gourmet! Sem falarmos da vandalheira organizativa! Não volto lá!
Tinha muito mais para dizer e até esclarecer o autor deste artigo, assim como o relatório do BES. Mas, o espaço é limitado!
Resta-me desejar a todos, bom trabalho!



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