A nova superestrutura judicial vai albergar, no edifício principal, o Tribunal Supremo, o Tribunal Constitucional, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério da Justiça e foi adjudicada, há alguns anos, por 41 milhões de dólares à empresa de construção China Jiangsu. O projecto, desenhado por uma equipa liderada pelo arquitecto Troufa Real, mereceu uma distinção em 1966.
O conhecido arquitecto disse ao SOL que outros nomes consagrados estiveram na génese deste arrojado projecto. Por exemplo, nos cálculos iniciais, o engenheiro Edgar Cardoso, autor da Ponte do Kwanza, e ainda o engenheiro Leal Machado.
Troufa Real explicou também um pouco da história deste projecto com algumas décadas de existência: «Era um edifício caracterizado pela chamada arquitectura tropical, com zonas de protecção solar, 12 salas de audiência e salas de espera ao ar livre protegidas do sol, jardins e estacionamento».
O edifício ficou por concluir em 1973 e só mais tarde, já depois da independência de Angola, Troufa Real voltou ao projecto devido à iniciativa do então ministro da Justiça, hoje provedor de Justiça, Paulo Tchipilica: «Contactou o meu ateliê em Lisboa e, em conjunto com o Leal Machado, fui consultado no sentido de analisar as estruturas do edifício. A revisão ficou pronta entre 94 e 95. Mais tarde, a responsabilidade passou para o Gabinete de Obras Especiais, que entregou a obra à empresa libanesa Dar AlHandasah». Troufa Real lembra que é um defensor da arquitectura tropical e que, e sem saudosismos, o novo edifício irá cumprir com os objectivos para o qual foi adaptado.
23 mil m2 de construção
Segundo a memória descritiva do projecto, o local de implantação da nova estrutura ocupa uma área total de mais de 10 mil metros quadrados, na esquina da Avenida do 1.º Congresso do MPLA e a Rua Alexandre Peres, na capital angolana.
A área total de construção da estrutura existente é de 23 mil metros quadrados e «está distribuída em duas caves parciais, rés-do-chão, piso técnico e 12 pisos típicos superiores com uma área superficial de forma rectangular de 1.400 m2, com núcleos verticais principais encontrando-se no centro», refere a memória descritiva.
A entrada do Palácio de Justiça marca pelo «impacto visual e estético, em conformidade com a importância do edifício de tão grande envergadura». Em frente, um imenso jardim, com 5.600 metros quadrados.
carlos.ramos@sol.co.ao