A peça, que está actualmente em exposição nas instalações da leiloeira Christie’s, onde se realiza o leilão na terça-feira à noite, pertence à colecção do restaurante Eleven, em Lisboa.
Para Joana Vasconcelos, a venda num leilão internacional de arte contemporânea «é uma situação nova» e inédita na sua carreira, que pode ajudar a promover o seu trabalho no estrangeiro.
«Logo veremos o efeito que este tipo de coisas produz no futuro da minha carreira», declarou à agência Lusa.
Joana Vasconcelos, nascida em 1971, trabalha sobretudo em escultura e instalação e já expôs em França, Espanha, Itália, Noruega, tendo recebido vários prémios.
A peça que vai a leilão data de 2004 e esteve exposta em 2007 em Bruxelas, durante a presidência de Portugal da União Europeia, no último semestre de 2007.
Foi também a primeira de uma série de 'corações' de Joana Vasconcelos.
O 'Coração Independente Dourado', recordou, «levou um trabalho enorme», tendo demorado cerca de dois meses e meio a moldar e colar os talheres de plástico laranja.
O produto final, que simboliza os tradicionais corações em ouro de Viana do Castelo, tem uma altura de 3,7 metros e dois metros de largura.
«Apesar de estar ligada muito à nossa iconografia, ao nosso passado histórico e à nossa identidade (...), é muito interessante ver como é que isso consegue passar as fronteiras de Portugal e comunicar em lugares onde não há as mesmas tradições, como aqui em Inglaterra», saudou.
A responsabilidade de a peça ir a leilão é de Francis Outred, director internacional, responsável pela Europa, que viu pela primeira vez o 'coração' numa exposição em Moscovo.
«Era uma exposição cheia de [obras] de grandes nomes da arte contemporânea, como Maurizio Cattelan, Jeff Koons, Cindy Sherman, mas para mim [Joana Vasconcelos] foi a melhor da exposição», disse à Lusa.
Depois da mostra, procurou a artista em Lisboa e convenceu os proprietários da obra a vendê-la em leilão em Londres.
«Gosto sempre de promover jovens talentos nos nossos leilões», justificou.
No dia seguinte, dia 1 de Julho, vão a leilão também na Christie’s obras de duas outras artistas portuguesas, Vieira da Silva e Paula Rego.
Outred considera a primeira «um ícone da 'Escola de Paris' do pós-guerra, uma das melhores artistas e subvalorizada».
O responsável não esconde também a admiração pelo trabalho de Paula Rego, de quem já vendeu várias telas, a última das quais pelo valor recorde de 740 mil euros em 2008, na altura quando trabalhava na rival Sotheby’s.
«Há uma grande tradição de artistas portugueses», constatou.
Sobre o estado do mercado dos leilões de arte, Francis Outred admite que os pontos mais baixos foram sentidos no final do ano passado e no início de 2009.
«O mercado de arte ajustou-se, os preços e as estimativas são mais conservadores e tenho sido cuidadoso na escolha das peças para leilão, não escolho coisas que estão sobreavaliadas», descreveu.
Lusa / SOL
Relacionados