Início Separador Opinião Separador Política Separador Sociedade Separador Economia Separador Internacional Separador Cultura Separador Desporto Separador Tecnologia Separador Vida
FaceBook Twitter RSS 2.0 Pesquisar
 
 
 
 
Diminuit textoAumentar texto
Mistério arqueológico
Encontrada múmia chinesa que fumava marijuana
Um grupo de experts chineses começou a estudar uma múmia de 2800 anos que foi enterrada junto a plantas de marijuana. Tentam resolver o que se tornou num grande mistério arqueológico nacional, dado que a cannabis sativa não era utilizada pelas antigas civilizações chinesas
 
Ver artigo

O corpo embalsamado do que terá sido um xamã de entre 40 e 50 anos foi encontrado há três anos no oásis de Trupan, um importante ponto de passagem no século I a.C., durante o esplendor da Rota da Seda.

Até agora, os cientistas não tinham iniciado o estudo da múmia por receio de danificá-la. Quando abriram o corpo, constataram que se encontrava num estado muito pior do que imaginavam.

«É um caso especial», disse o director da Oficina do Património Cultural de Turpan, Li Xiao, que assinalou que de momento não se podia determinar a origem do embalsamado, ainda que pareça ser «uma pessoa com traços caucasianos».

Mas os arqueólogos não conseguem explicar como é que o xamã chegou a Turpan, dado que as culturas conhecedoras de cannabis se encontravam a milhares de quilómetros de distância.

Para o professor Li, a múmia poderia vir de alguma área do Mar Negro, onde a marijuana era frequentemente usada em cerimónias religiosas. Os trácios, os assírios e os persas conheciam e utilizavam a planta.

A cannabis também era conhecida na cultura hindu e não se põe de lado que a múmia tenha origem tibetana, ou de outros povos dos Himalaias já que, segundo os botânicos, foi no «Tecto do Mundo» que se desenvolveu originalmente a planta, com propriedades psicotrópicas.

A possível origem estrangeira do embalsamado não parecia encaixar-se no facto de se ter sido encontrada numa vala comum de Turpan, próximas de outras 2000 tumbas e 600 múmias. Segundo os arqueólogos, as múmias pertencem a épocas distintas, que vão desde a Idade de Bronze até à dinastia Tang (o período compreendido entre os séculos VII e X da nossa era).

Apesar do mau estado da múmia, o professor Li assinalou que os estudos continuaram de forma a chegarem a algumas conclusões sobre as origens do xamanismo no noroeste da China, uma área actualmente ocupada por etnias semelhantes aos turcos, como os kazaques.

Jia Yingyi, do museu regional, afirmou que a múmia levava roupa, botas e chapéu de couro, além de um manto de tecido com sanefas triangulares. A par com as cabeças de cannabis na bolsa, a tumba continha grandes jóias de ouro e bronze, um colar de turquesas e uma vara com tiras de cobre.

A imprensa chinesa concedeu uma atenção especial a esta múmia, esperando desvendar um pouco da sua origem e resolver o mistério da presença de marijuana, substância pouco habitual entre os chineses.

A medicina tradicional chinesa tem usado milhares de ervas ao longo da história, porque também se crê que a planta do cânhamo pode ser usada como narcótico, mas pouco difundido. A sua posse e consumo estão proibidos ainda que, como nos restantes países, as autoridades não se dão ao trabalho de perseguir os pequenos consumidores.

Muito dos vendedores de marijuana obtém a erva através das plantações na Ásia Central, cultivada pelos uigures de Xinjiang, justamente da região onde se encontrava a múmia.

 

dora.guennes@sol.pt

com agências



Galeria Multimédia
 

mais galerias
 
 
 
© 2007 Sol. Todos os direitos reservados. Ficha Técnica. Regras de acesso. Contactos. Publicidade. Mantido por webmaster@sol.pt