Coube aos timorenses Bei Gua abrir a festa e ao DJ Fiúza fazer a animação entre cada um dos artistas.
«Isto até pode estar muito bem, mas este calor afasta o pessoal, e muita gente nem sabia, ou preferiu a praia», disse Manuel Bento, um dos cerca de mil espectadores que assistiam à festa.
Tal como Manuel Bento, a maioria das pessoas procurava a sombra da estátua de D. João I, ali erguida, para fugir ao sol.
Pelo palco provisoriamente instalado irão passar até às 23:00 representantes de cada um dos Estados membros da CPLP, estando ainda previsto a presença do secretário executivo da organização, Domingos Simões Pereira, pelas 23:00, que lerá uma mensagem.
Alguns restaurantes daquela zona da capital, em sintonia com os sons da Lusofonia que se fazem ouvir, decidiram incluir nas ementas pratos e especialidades gastronómicas característicos dos diferentes países como muamba, cachupa, pastel de nata ou chamuça.
O espectáculo é apresentado pela actriz e locutora da televisão de Moçambique Vânia Oliveira (ex-elemento das Delírio) que logo no início procurou animar o público.
«Vamos lá mexer esse rabiosque», disse entusiasmada Vânia Oliveira que, no início do espectáculo, enunciou os princípios da CPLP e as áreas de intervenção.
Pelo palco, instalado na praça da Figueira, passarão Bonga, Toque de Classe, Eddu, Super Mama Djombo, Ancha, e Akunamatata.
Bonga que ainda não cantou foi já apresentado como o rei da música angolana e a sua actuação é das mais esperadas.
«Ouvir e ver o Bonga com seu ritmo foi o que me trouxe aqui e à minha família, até a minha sogra veio», disse Ermilinda Souza. Natural de Angola, Ermilinda Souza, de 25 anos, vive há 20 anos nos arredores de Lisboa mas projecta regressar.
«Quando os meus filhos estiverem seguindo a sua vida, o seu caminho estiver definido, penso voltar ao Huambo, ter uma casa com quintal e viver ainda uns anos bons», disse.
A CPLP foi constituída a 17 de Julho de 1996, em Lisboa por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, a que se juntou, em 2002, Timor-Leste.
O Português, língua oficial comum aos oito Estados, é actualmente falada por cerca de 240 milhões de pessoas no mundo, sendo a quinta mais falada no mundo.
«A vitalidade da CPLP reflecte-se na defesa da democracia e no elevado número de medidas conjuntas que os Estados membros têm adoptado para harmonizar politicas», segundo uma nota enviada à imprensa.
A CPLP, lê-se na mesma nota, tem cooperado «em domínios como a Justiça, a Educação, as Forças Armadas, Ambiente e Migrações» e na área cultural.
A festa de hoje inscreve-se também na campanha da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) «um milhão contra a fome», que convida todas as pessoas a utilizarem um apito para «expressar o repúdio» pela existência, em pleno século XXI, de mais de mil milhões de seres humanos famintos no mundo.
Na praça da Figueira, vários voluntários recolhiam assinaturas, usando um apito amarelo, para a mesma campanha
Lusa / SOL