Para não sacrificar o cartaz de actuações, que tornam o FMM um dos mais ecléticos do género em Portugal, a Câmara Municipal da cidade reajustou o festival para dois locais de actuações - castelo e avenida Vasco da Gama - e apenas em Sines.
Das 26 actuações previstas, há a assinalar várias estreias em palcos portugueses, como a dos aclamados Staff Benda Bilili, a mais improvável das bandas que nasceu no Congo e que actua no sábado no castelo.
Os Staff Benda Bilili são um grupo de músicos paraplégicos que foram descobertos há cinco anos nas ruas de Khinshasa pelos realizadores Renaud Barret e Florent de La Tullaye.
Os músicos tocam em instrumentos criados a partir de objectos encontrados nas ruas e as letras das canções - reunidas no álbum Très très fort (2009) - falam da sua condição social, dos refugiados de guerra, das crianças abandonadas.
A música, já apresentada em Junho no festival de Glastonbury, é um condensado de ritmos africanos, rumba, blues, reggae e funk, ao melhor estilo de James Brown.
Na programação paralela, no sábado será exibido o documentário que aqueles dois realizadores fizeram sobre os Staff Benda Bilili e que passou no último festival de Cannes.
Entre o lote de estreias em Portugal no FMM de Sines 2010 destacam-se ainda os timorenses Galaxy, que viajam pela primeira vez até à Europa de propósito para o concerto de sábado no castelo, com um punhado de canções rock, misturadas com reggae e hip hop.
O festival abre na quarta-feira com os irmãos Janita Salomé e Vitorino a comandar o Grupo de Cantadores de Redondo no castelo a partir das 18:30, já que a organização decidiu abrir as hostilidades dos concertos mais cedo, ao cair da tarde.
Nesse dia, por um lado, estreiam-se os nova-iorquinos Las Rubias del Norte por entre boleros e cah cha cha, e por outro, o saxofonista Dave Murray dirige a Sinfonieta de Sines e convidados cubanos para revisitar as canções de Nat King Cole.
Na quinta-feira, o mapa musical passa, por exemplo, pela música ladina e espanhola com a israelita Yasmin Levy e pela folk e country alternativos com os britânicos The Mekons.
Na sexta-feira, aos já conhecidos nómadas do Mali Tinariwen e à cantora chinesa Sa Dingding juntam-se a cantora francesa Dorothée, com o projecto The Rodeo, o guineense Kimi Djabaté e os brasileiros radicados em Nova Iorque Forro in the Dark.
No fecho do FMM de Sines, a par de Galaxy e Staff Benda Bilili, há a assinalar a actuação da espanhola Lole Montoya com o álbum Metáfora, o veterano jamaicano do dub U-Roy e, já de madrugada, na avenida Vasco da Gama, o projecto luso angolano Batida.
Toda a programação, horários de actuações e actividades paralelas, do 12º Festival Músicas do mundo de Sines pode ser consultada em www.fmm.com.pt.
Lusa / SOL