
A imagem está publicada no blogue do jornalista chinês Wang Xiaofeng, em www.wangxiaofeng.net, que é um dos blogues mais visitados e comentados na China.
«Quando os atletas portugueses entraram no Estádio Olímpico com o cachecol metade verde e metade vermelho, lembrei-me logo da embalagem da marca de pasta de dentes Colgate», contou à Agência Lusa em Pequim, Wang Xiaofeng, o jornalista da revista Sanlian Life Week, autor da imagem.
O significado da palavra Portugal, que em chinês se diz Putaoya, foi o outro ponto de partida para a brincadeira, segundo explicou o jornalista.
'Putao' significa uva em chinês, e 'ya' significa 'dente'.
A fotografia manipulada mostra a equipa portuguesa a sorrir para o público e a exibir cachecóis com o nome de Portugal escrito em caracteres na metade verde e a marca Colgate na metade vermelha.
Wang encontrou a imagem dos atletas olímpicos lusos na página de Internet do jornal China Youth Daily e recorreu ao Photoshop para a transformar.
Em declarações à Lusa, o jornalista chinês afirmou que, de Portugal, apenas conhece o futebol e a existência, «no passado», de «atletas portugueses muito fortes no atletismo».
«Estou curioso perante a reacção dos portugueses à imagem, se vão ficar zangados ou não», observou o jornalista.
A fotografia manipulada está no blogue do autor com o título A objectividade de Portugal, onde a paródia com a equipa portuguesa recebeu 28 comentários em cinco dias.
«Muitos homens bonitos», comentou um dos leitores do blogue chinês.
«Dói-me a barriga de rir», observou outro internauta, ou «a nossa objectividade é a falta de dentes», escreveu outra pessoa, numa comparação da imagem portuguesa com a realidade chinesa famosa pela falta de cuidado com os dentes.
Esta semana, a Organização dos Jogos Olímpicos admitiu que a menina prodígio que cantou Ode to Motherland durante a cerimónia de abertura dos Jogos fez playback porque a criança de sete anos detentora da voz angelical tinha um sorriso desalinhado que estragava a imagem perfeita que a China queria mostrar ao mundo.
«É uma desgraça», afirmou Wang acerca do caso do playback.
Lusa/SOL