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Ex-guarda-redes do Benfica
Robert Enke suicida-se aos 32 anos
O guarda-redes alemão Robert Enke morreu esta terça-feira aos 32 anos, colhido por um comboio nos arredores de Hannover. «Posso confirmar que foi suicídio», afirmou um amigo do atleta. O internacional germânico foi guardião do Benfica de 1999 a 2002
 
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Segundo o diário Die Welt, que cita Jörg Neblung, amigo e assistente pessoal do guarda-redes, o atleta cometeu suicídio cerca das 18h locais, atirando-se para a frente de um comboio em movimento, numa estação ferroviária nos arredores de Hannover. Neblung marcou uma conferência de impressa para quarta-feira.

Os dois maquinistas do comboio regional que o colheu declararam ter tentado travar, em vão, ao ver um homem caminhar sobre a linha. O carro do guarda-redes foi encontrado nas imediações, destrancado e com a carteira no assento.

A notícia caiu como uma bomba na Bundesliga. Enke tinha recuperado de uma infecção intestinal que o manteve afastado dos relvados durante nove semanas e era alvo do interesse do Bayern de Munique e do Hamburgo.

Enke, nascido em 1977 em Jena, antiga Alemanha de Leste, esteve três temporadas ao serviço do Benfica, onde chegou com 21 anos pela mão de Jupp Heynckes.

Apesar dos maus resultados do clube à época, tendo chegado a terminar o campeonato num inédito 6.º lugar em 2000-2001, o jovem alemão conquistou a admiração dos adeptos da Luz e foi alvo de várias propostas dos grandes europeus.

«Estou chocado», declarou o guarda-redes Moreira à Benfica TV, referindo «óptimas recordações» deixadas pelo alemão, a quem havia de suceder na baliza encarnada.

«Era um obcecado, quando chegou, por aprender português. Passávamos os estágios quase que eu a fazer de professor e ele de aluno. Dizia-me que em três meses tinha de falar português e a verdade é que em três meses ficou a falar português. Só tenho a realçar as qualidades dele enquanto homem», disse Moreira ao canal do clube da Luz.

Também Nuno Gomes recordou Enke como «uma pessoa rara nos tempos que correm».

De Lisboa, Enke seguiu para o Barcelona, onde ficou na ingrata posição de segundo guarda-redes. Depois de ter passado pelo Tenerife e pelo Fenerbahçe, regressou à Alemanha.

Em 2006, o atleta sofre uma tragédia pessoal ao perder a filha de 2 anos, vítima de uma malformação cardíaca congénita. Em Maio de 2009, o casal Enke adoptou uma bebé.

Nos relvados, porém, Enke acabaria por se afirmar nessa altura difícil como um dos melhores guarda-redes germânicos da sua geração ao serviço do Hannover, alcançando a primeira internacionalização sénior em 2007.

Os últimos 12 meses da carreira de Enke foram atribulados. O guarda-redes partiu a mão num treino da selecção germânica no Outono de 2008 e esteve afastado dois meses.

Em Setembro último, o guarda-redes foi infectado por uma bactéria, da qual tinha recuperado na semana passada. Não tinha sido convocado para os amigáveis da Alemanha contra o Chile e a Costa do Marfim, marcados para 14 e 18 de Novembro.

Nos últimos dias, o atleta foi alvo de notícias que davam conta do interesse do Bayern e do Hamburgo na sua contratação. Aos 32 anos, uma morte misteriosa vem pôr termo à sua carreira.

SOL

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