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Revelação
Administradores do Banco Português de Negócios levantaram milhões em dinheiro vivo
Administradores e ex-administradores do BPN e de outras entidades receberam pagamentos de milhões de euros em numerário levantado do próprio BPN, movimentos não registados nas contas, revelou hoje um administrador da SLN
 
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«Detectámos que algumas pessoas tinham feito levantamentos em numerário. Falámos com quatro colaboradores, que disseram todos que o tinham dado a pessoas específicas, administradores [do BPN] essencialmente», contou hoje Manuel Meira Fernandes aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN.

«Um deles [dos administradores] disse logo que sim», adiantou Meira Fernandes, que entrou para a SLN - grupo que detinha o BPN até à sua nacionalização - com a equipa de Miguel Cadilhe.

«As pessoas recebiam salários mensalmente, uma parte legalmente e outra em numerário, em moeda viva e, todos os meses, quem recebia por fora ia buscar o seu dinheiro», contou o administrador.

«Uma análise mais exaustiva detectou que esse dinheiro era recebido por colaboradores, ex-administradores do Banco e de outras entidades. Ou seja, nós tínhamos um problema de IRS e com a Segurança Social», adiantou.

«A ordem de grandeza é de vários milhões de euros», disse Meira Fernandes, afirmando que no seu entender «houve levantamentos em numerário desde sempre».

Meira Fernandes disse também «ter a certeza» de que não se tratava de salários.

«Ninguém ganha 200 mil euros por mês, depois 50 mil euros, ou 100 mil euros. São estes os levantamentos que eram feitos», frisou.

Toda esta situação apurada, contou Meira Fernandes, foi comunicada ao presidente do BPN após a nacionalização do banco.

O responsável acrescentou porém que o montante total dos levantamentos em numerário «não tem relevância nenhuma».

Para Meira Fernandes, mais problemáticos foram movimentos detectados em algumas contas, de pessoas que se escusou a identificar.

«Vimos duas contas com movimentos de várias centenas de milhões de euros. Eu vi uma parte, só uma parte. O meu colega viu outra parte, outra sequência de movimentos», contou o administrador.

Questionado sobre se conhecia a designação «A1», alegadamente uma conta no Banco Insular, Meira Fernandes disse saber o que é - «uma conta pessoal» - mas referiu que não diria de quem «a coberto do sigilo bancário».

«Se perguntarem ao Banco Insular, eles sabem de quem é», acrescentou.

Lusa / SOL

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