Portugal não é um país do terceiro mundo, mas também não é desenvolvido. É um país semi-desenvolvido. «Um permanente sobrevivente da história». Mas nem tudo está perdido e o futuro ainda pode ser risonho. «Tudo depende dos portugueses», acredita o economista Ernâni Lopes.
A ideia serve de pano de fundo ao estudo A Economia no Futuro de Portugal, que o presidente da consultora SaeR lança, esta sexta-feira, no âmbito de uma conferência em parceria com o SOL.
«Neste estudo fazemos um esforço de sistematização em matéria de leitura dos factos. Não é uma história. É uma leitura, com conhecimento do plano vivencial da realidade e no plano do estudo e da análise, e da proposta de soluções para o futuro», explica o professor.
Sem meias palavras, diz que «temos uma economia que funciona mal há séculos» e salienta que «a nossa industrialização é fraca e insustentada, além de termos um estado despesista e para nada».
Sobretudo nas últimas quatro décadas houve, para o responsável da SaeR, «lacunas de regulação no sistema político, na economia e na sociedade». E as oportunidades de correcção que existiram «não foram aproveitadas, tendo-se perdido activos e vocações, desperdiçado recursos, relevância e poder». Por tudo isto, «o futuro é agora mais incerto e inseguro».
Ainda assim, há luz ao fim do túnel. Ernâni Lopes acredita que o país «pode vir a ter um papel importante e útil, no contexto nacional e internacional, se conseguir articular os quatro pólos fundamentais da sua geopolítica: Portugal, Europa, África e Brasil».
No entanto, Portugal precisa de «uma elite dirigente capaz de produzir e difundir valores, atitudes e padrões dos comportamentos que moldam a sociedade, e que não se limite a fazer política corrente».
Esta é, para o economista, «uma componente fundamental da evolução das economias e das sociedades», sendo que «a economia no futuro de Portugal é a condição de existência do país com autonomia».
SOL
Relacionados