As aves são a nova aposta do Turismo do Algarve, que continua a ressentir-se em determinadas áreas, como o golfe e imobiliário, devido à crise internacional. A observação de aves é um segmento aparentemente muito específico, mas que pode gerar uma grande receita e dinamizar a região na época baixa, altura em que este tipo de actividade mais se realiza.
Esta quinta-feira foi apresentado em Tavira um estudo que aponta para a existência de mais de 100 milhões de amantes de ornitologia em todo o mundo, cerca de metade destes nos Estados Unidos. Em termos financeiros, o estudo - realizado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e pela associação algarvia Almargem -, indica ainda que nos Estados Unidos os proveitos desta actividade ultrapassam os 80 milhões de euros por ano e representam mais de 600 mil empregos
Na Europa, Reino Unido e Alemanha são os países onde esta prática mais se verifica, e também são estes países que mais turistas 'enviam' para o Algarve. A região sul do país é uma das melhores da Europa para observar aves, pelo que o Algarve, em conjunto com o Alentejo, tudo têm para fazer 'concorrênca' a Espanha, onde a actividade está muito mais dinamizada.
Críticas ao PENT
Na apresentação deste projecto não foram poupadas as críticas ao Plano Estratégico Nacional do Turismo para o Algarve. Tanto João Ministro, da Almargem, como Alexandra Lopes, da SPEA, como Nuno Aires, Presidente do Turismo do Algarve, acusam o documento de ignorar o Turismo de Natureza e a continuar a referir principalmente o 'Sol e Mar' e a hotelaria como prioridades.
Parque de Natureza em Tavira
A SPEA e a Almargem definiram cinco hot spots no Algarve, alguns já muito procurados por turistas e ornitólogos, como a Ponta de Sagres, a lagoa de Salgados e o sapal de Castro Marim. Sagres é um dos melhores sítios da Europa para observar aves de rapina e nos Salgados ou Castro Marim existem espécies únicas na Europa. Os outros dois pontos de interesse são a Serra do Caldeirão e os canais da Ria Formosa em Tavira.
Em qualquer um destes pontos não existem estruturas de observação e percursos marcados, ou os que existem estão muito degradados. Estão já definidas as soluções a adoptar, faltando agora o financiamento e o acordo das muitas entidades que gerem todas esses locais, desde câmaras municipais a institutos públicos de conservação da natureza ou administrações hídricas.
Para Tavira está prevista a criação de um grande parque de natureza, com uma área de 75 mil metros quadrados, com pontos de acesso livre, outros pagos, e outros ainda restritos a 'profissionais'. A lagoa, a ser 'reflorestada', está inserida na antiga ETAR, que já está desactivada, e que a câmara prevê aterrar até ao final do ano. Segundo João Ministro, os custos com o aterramento são quase suficientes para pagar a criação da lagoa e estruturas envolventes, pelo que a câmara nada tem a perder.
Por outro lado, para promover este tipo de turismo vai ser criada uma imagem de marca específica e o Turismo do Algarve quer levar as propostas a várias feiras internacionais do sector, principalmente a do Reino Unido, no próximo ano.
emanuel.costa@sol.pt