José Sócrates, que cumpriu a acção simbólica de cimentar a primeira laje da obra, lembrou os presentes que era ministro do Ambiente quando foi lançada, pela primeira vez, a empreitada – na altura, o Governo desistiu da obra depois de um dos consórcios concorrentes ter contestado judicialmente o resultado do concurso público.
Agora, avisou o primeiro-ministro, a obra é mesmo «para avançar». «Portugal quer reduzir a sua dependência do petróleo. Esta barragem vai fazer-se, em primeiro lugar, por razões nacionais», começou por dizer o líder do Governo. Para além de contribuir para que o país dependa cada vez mais das energias renováveis - «Portugal está hoje na vanguarda», Sócrates sublinhou que o projecto apresentado criará oportunidades de emprego e para as empresas.
A obra, cuja construção fica a cargo do consórcio OPWAY, FCCRRC, permitirá criar 2300 postos de trabalho, 550 dos quais directos.
«Já não era sem tempo», sentenciou José Sócrates, acrescentando que era necessário «recuperar o tempo perdido e corrigir um erro do Estado por ter abandonado esta obra».
O novo complexo hidroeléctrico de Ribeiradio/Ermida tem por objectos: a produção de energia renovável, a redução das emissões de dióxido de carbono para o ambiente, a criação de uma reserva estratégica de água, a garantia de caudais ecológicos, o controlo das cheias e o combate aos incêndios.
O engenheiro responsável pelo projecto das duas barragens, Martins das Neves, explicou que a obra terá em conta a sustentabilidade ambiental: está prevista a «reabilitação da vegetação da marginal a jusante, a criação de habitats artificiais, o transporte de peixe a jusante para montante», entre outras acções.
Para além disso, as populações locais ganham «uma nova ligação intermunicipal», uma travessia sobre o Vouga, ao mesmo tempo que beneficiarão da «requalificação de acessos» já existentes, explicou o engenheiro.
A presença das gentes da terra na cerimónia de apresentação das barragens «traduz uma espera de, pelo menos, 70 anos», lembrou o presidente executivo da EDP. António Mexia referiu que a obra lançada hoje «é uma peça de uma política coerente na qual a EDP tem um papel predominante».
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