O consenso em torno da candidatura de Santos Ferreira ficou hoje definido num encontro de mais de três horas que foi promovido pelo presidente do conselho de administração da EDP - Energias de Portugal, António Mexia, e decorreu na sede da empresa, em Lisboa.
Além do presidente da EDP, que detém cerca de 3 por cento do Banco Comercial Português (BCP), estiveram presentes na reunião o presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, que representa cerca de 8,8 por cento do banco, e Pedro Teixeira Duarte, que representa cerca de 6 por cento da instituição financeira.
O investidor Joe Berardo, que detém cerca de 7 por cento do BCP, também esteve presente, assim como Moniz da Maia e Manuel Fino, que têm sido seus aliados na procura de alternativas para a gestão do banco.
No final da reunião, Berardo afirmou que o resultado da reunião foi "fumo branco", enquanto Ulrich concordava, em resposta aos jornalistas, que a crise tinha acabado.
«Foram feitos progressos importantes», disse outro accionista, João Rendeiro, presidente do Banco Privado Português (BPP), indicando que deverá haver uma lista de consenso alargado para a gestão do banco.
Carlos Santos Ferreira, também esteve presente na reunião.
O banco estatal detém cerca de 2 por cento do BCP.
A crise no maior banco privado português agudizou-se sexta-feira, quando foi noticiado que o governador do Banco de Portugal desaconselhava a candidatura de Filipe Pinhal e Christopher de Beck à liderança do BCP, depois dos indícios encontrados nas investigações que tanto o regulador do sector bancário como a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estão a fazer ao banco.
Ainda a 21 de Dezembro, Vítor Constâncio reuniu-se com os principais accionistas do BCP e terá desaconselhado, também, que estes apoiassem elementos que integraram a gestão do banco nos últimos sete anos, já que os indícios de irregularidades remontam a 2000 e 2001.
Em consequência, Pinhal e de Beck decidiram retirar a sua candidatura e grandes accionistas do banco, como a holandesa Eureko, que detém cerca de 7 por cento do capital, contactaram Santos Ferreira para este assumir a presidência do maior banco privado português, sucedendo a Filipe Pinhal.
Santos Ferreira, que termina o seu mandato na CGD a 31 de Dezembro próximo, contactou o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e fez saber que estaria disponível para liderar o BCP, desde que houvesse um forte apoio accionista.
José Sócrates questionado hoje sobre a situação do banco, recusaou comentar, mas disse esperar que os accionistas escolham uma administração «o mais rapidamente possível».
O apoio necessário a Santos Ferreira ficou definido hoje e a tempo de ser apresentada uma lista aos órgãos sociais do banco até 28 de Dezembro, para ser votada na assembleia geral de 15 de Janeiro.
Santos Ferreira deverá deixar a presidência da CGD antes de formalizar a candidatura à presidência do BCP.
Lusa/SOL