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Entrevista ao SOL
Ricardo Salgado elogia supervisão de Constâncio
O presidente do BES diz que gostaria de ver a EDP apostar na energia nuclear e propõe uma maior redução de impostos na economia portuguesa. Afirma que, se foram os bancos que criaram a actual crise financeira, terão que ser eles a resolvê-la e defende a competência supervisora do Banco de Portugal
 
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Ricardo Salgado elogia supervisão de Constâncio

O Governo desceu a taxa de IVA por considerar que há espaço de manobra orçamental para o fazer. Como avalia esta opção? Também vê espaço para descer impostos?

O Governo está de parabéns pelo resultado do défice orçamental e acredito ter sido feito, relativamente ao IVA, o possível. No caso de surgirem novas melhorias no défice poderemos vir a ter novas reduções nos impostos.

Considera que o Governo fez bem ao escolher o IVA como imposto a descer ou devia ter optado por outro?

Julgo que sim. Há, no entanto, um aspecto que me preocupa relativo à integração económica na Península Ibérica resultante da interpenetração das economias portuguesa e espanhola: o desfasamento entre a carga fiscal do IVA nos dois países tem prejudicado muito algumas actividades, empresas e regiões portuguesas.

Nos últimos orçamentos, o Governo apostou no controlo do planeamento fiscal. O BES já sentiu esse efeito, ou espera vir a sentir, e de que forma?

Considero correcto que o Governo aumente o controlo do planeamento fiscal. No caso do BES, devemos procurar, dentro do quadro legal, uma eficiência fiscal. Temos pautado a nossa conduta, desde sempre, por princípios éticos tendo presente a competitividade fiscal.

Como comenta as declarações do governador do Banco de Portugal sobre uma possível desaceleração da actividade bancária?

É normal que o governador diga isso. Nós próprios estamos com uma desaceleração do crédito no primeiro trimestre deste ano.

Vítor Constâncio disse também que o Banco de Portugal iria fazer um reforço da fiscalização bancária. Não estava a ser bem feita?

Sempre disse que o Banco de Portugal é das organizações mais sólidas, responsáveis e competentes. O BES está a ser supervisionado em Nova Iorque, Londres e Paris. Em qualquer destes mercados, não vi nenhum que fosse da qualidade, da profundidade e de análise técnica mais competente do que a do Banco de Portugal.

Se é assim tão competente, porque Vítor Constâncio diz ser necessário reforçar a fiscalização aos bancos?

Porque está a haver uma extensão em termos de supervisão noutros domínios. Um é o problema da supervisão comportamental, no relacionamento com os clientes.

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