Alguns membros mais radicais da esquerda francesa – liderados pelo filósofo Alain Finkielkraut - estão em polvorosa com o jogging do presidente, noticia o The Guardian.
Consideram que a corrida é direitista, com contornos filisteus e muito pouco francesa, lembrando Jimmy Carter e Bill Clinton, que ditaram as tendências para a saúde dos políticos.
Afirmam ainda que há desportos mais indicados para um político europeu, que se mostra interessado no culto do físico em detrimento do espírito e demasiado «americanizado».
Os seguidores de Finkielkraut descrevem a corrida é um desporto de ‘expressão individualista’ e herdeiro do culto nietzschiano do super-homem e da supremacia da vontade, obtido através de uma busca fetichista pelo corpo perfeito.
«Porque começaram eles a correr desta forma», questiona o Le Monde, em jeito de pergunta retórica. «Esses homens políticos não sabem que lhes dá cabo dos joelhos e das vértebras? Porque não se livram dele e praticam desportos mais saudáveis (…). Não, eles querem correr. Correr, correr. Atrás de quem, atrás de quê?»
Em Portugal, também Sócrates foi criticado pelo seu jogging diplomático, sempre em viagem oficial. Vasco Pulido Valente também condena as corridas do primeiro-ministro, ainda que através da lente oposta a Finkielkraut.
«Não espanta que a esquerda goste deste exercício de melhoramento do homem. É repressivo e abre um belo e vasto campo à intolerância dos não-fumadores. Quando qualquer mentecapto pode perseguir um tabagista como um ente sub-humano, a populaça aprecia. Até Hitler era dado a esse desporto».
Os dois dirigentes vão encontrar-se hoje em Lisboa margem da Cimeira UE/Brasil, com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, para debater questões relacionadas com a União Europeia.
SOL com agências