Ophelia é filha de um conceituado cirurgião plástico, Lawrence Kirwan, e da sua mulher Chelsea, que já fez mais de dez cirurgias plásticas.
De acordo com os pais, a decisão sobre a mudança das características físicas associadas ao Síndroma será tomada se, ao atingir os 18 anos, a menina for tratada de maneira injusta por causa de sua aparência.
«É uma questão de auto-estima: se não estamos felizes connosco, por que é que não mudamos alguma coisa? Tudo o que queremos é que Ophelia seja feliz» , disse o pai ao jornal.
Este não é o primeiro caso sobre cirurgia plástica em crianças com síndroma de Down a chamar a atenção da imprensa britânica.
Em 1998, a história de Georgia Bussey, que aos cinco anos já tinha passado por três operações plásticas, gerou polémica depois da exibição de um documentário na televisão britânica.
Os pais de Georgia, Kim e David Gallagher, também afirmaram que «só queriam o melhor para a filha» ao decidir submeter a criança aos procedimentos médicos.
A primeira operação diminuiu o comprimento da língua da criança para que parasse de aparecer fora da boca, a segunda removeu uma parte da pele das pálpebras para evitar a aparência associada ao síndroma e a terceira fixou as orelhas para evitar que aparecessem demais.
A Associação de Síndroma de Down do Reino Unido questiona a vontade dos pais em submeter os filhos ao procedimento cirúrgico, «com todo o desconforto e riscos que a cirurgia envolve».
«Esconder a deficiência de uma criança pode confundir não apenas a sociedade, mas a própria criança» , afirmou um porta-voz da instituição.
«A sociedade precisa aprender a aceitar as pessoas com síndroma de Down pelo que são» .
O síndroma de Down provoca deficiência mental, além de estar associado a outros problemas como doenças cardíacas, leucemia e Alzheimer a partir dos 40 anos. O síndroma ocorre quando uma criança tem três cromossomas 21, em vez das duas normais.
SOL com agências