Estas e outras propostas foram apresentadas como respostas ao afastamento dos jovens portugueses em relação à política identificado no estudo da Universidade Católica encomendado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, que foi tema do seu discurso no 25 de Abril.
Os cem alunos inscritos na Universidade de Verão do PSD, a maioria filiados no partido, com idades entre os 16 e os 30 anos, estão organizados em grupos e tinham hoje de apresentar uma análise do estudo e soluções para aproximar os jovens da política.
«Este partido preocupa-se com a regeneração partidária, mas há outros partidos que não se preocupam. É necessário criar quotas para jovens neste momento – até pode ser que no futuro sejam abolidas», defendeu Rui Jacinto, de 20 anos, em representação do grupo verde.
«Os partidos têm de ter jovens, têm de ter novas ideologias», acrescentou. Uma colega de outro grupo questionou se as quotas não podem afastar os melhores quadros dos partidos.
Sílvia Oliveira, de 25 anos, respondeu: «Porque é que os melhores não podem estar entre os jovens? Podem lá estar e devemos apostar neles».
A seguir, Fausto Amaral, de 17 anos, animou a sala ao apresentar, em tom confiante, as propostas do grupo bege, defendendo a realização de referendos como forma de aproximar os jovens da política.
«Nem sempre há matérias para referendar», observou.
«Mas há-de haver uma ou outra coisinha que de seis em seis meses é possível colocar de forma mais aberta e interventiva à opinião pública», completou.
«Os jovens quando há referendos participam muito», salientou Fausto Amaral.
A realização de referendos foi defendida por outros alunos da Universidade de Verão, uma actividade formativa promovida pelo Instituto Francisco Sá Carneiro e dirigida pelo eurodeputado do PSD Carlos Coelho.
Aulas de formação cívica nas escolas e o estímulo à participação dos jovens em associações locais foram ideias sugeridas por vários grupos. A comunicação directa entre os agentes políticos e os cidadãos também foi defendida.
Outras propostas apresentadas foram aproveitar a televisão para entusiasmar os jovens pela política, «através de programas de televisão do género dos Morangos com Açúcar», e diminuir a idade mínima para votar dos 18 para os 16 anos.
De acordo com Carlos Coelho, os alunos da Universidade de Verão do PSD são seleccionados anualmente em função do currículo e de «um retrato psicológico» traçado com base nas motivações, aspirações, intervenção cívica e nos livros, filmes e hobbies que apontam como favoritos.
Segundo o eurodeputado, a escolha tem ainda em conta as idades e os locais de residência dos jovens, para se obter um conjunto o mais diversificado possível.
Lusa / SOL