O presidente da Câmara, António Costa, afirmou aos jornalistas que a autarquia vai «tentar por outras vias» concretizar o projecto, acusando o PSD de estar «entrincheirado numa maioria artificial» na Assembleia Municipal a «impedir a realização do programa» do executivo de maioria socialista.
O deputado municipal social-democrata Victor Gonçalves afirmou na discusssão da proposta que «não há vontade da Câmara Municipal» em esclarecer como vai ser financiada a rede de bicicletas públicas, considerando que o executivo devia explicar como pretende que o sistema seja auto-financiado e considerando «um exagero» a estimativa de encargos para a autarquia de 50 milhões de euros nos primeiros dez anos.
O vereador socialista Marcos Perestrelo dispôs-se a alterar a proposta para que ficasse explícito que o projecto devia ser auto-financiado, eliminando assim a expectativa de encargos de 50 milhões, mas a maioria PSD manteve a oposição, referindo a falta de tradição de tráfego de bicicletas em Lisboa, as condições do relevo da cidade e a falta de infraestruturas para a circulação em duas rodas.
Marcos Perestrello remeteu para as receitas publicitárias o financiamento da rede de bicicletas partilhadas.
«Passam-se dias sem ver alguém a andar de bicicleta», contrapôs Victor Gonçalves, que pôs ainda em causa a viabilidade de as bicicletas serem estandartes de publicidade: «Como vai ser? O ciclista vai ter um cartaz às costas?», questionou.
António Costa frisou que a Câmara já aprovou um projecto para a construção de «quarenta quilómetros de ciclovias», já começou a instalar espaços de estacionamento para as bicicletas e que «não há tradição de andar de bicicleta enquanto não se der condições para isso».
«Se [o deputado Victor Gonçalves] não quiser andar de bicicleta, ninguém o vai obrigar. Agora, não queira impedir quem quer andar de o fazer», afirmou o autarca socialista.
O projecto acabou por ser chumbado com os votos negativos do PSD e do PCP.
Aquando da aprovação da abertura do concurso para a instalação da rede de bicicletas de uso partilhado em reunião de câmara, o executivo autárquico aprovou igualmente uma proposta adicional da CDU, que pedia a clarificação do conceito de «via ciclável», das condições de segurança do piso e eventuais alterações necessárias ao Código da Estrada para o funcionamento do serviço.
A rede a criar deveria funcionar com 2.500 bicicletas de uso partilhado em 2012, arrancando com mil bicicletas numa fase inicial.
Em Outubro, a Comissão Municipal de Urbanismo, presidida por Victor Gonçalves, já tinha defendido que a Assembleia precisava de ter «o conhecimento integral dos investimentos envolvidos e dos encargos resultantes para Lisboa e para os lisboetas» com a aplicação deste sistema.
Lusa / SOL