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PS
Alegre diz que Santos Silva «não tem estatuto» para o fazer afastar do partido
O histórico dirigente socialista Manuel Alegre criticou hoje a forma como Santos Silva se referiu à oposição e às questões internas do PS mas recusou que essas palavras possam contribuir para o seu afastamento do partido
 
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«O Dr. Santos Silva não tem estatuto no Partido Socialista para me poder fazer afastar ou aproximar do PS. Tal como o Edmundo Pedro, eu sou uma referência para o PS, para o seu eleitorado, muito grande, como se viu nas eleições presidenciais», afirmou Manuel Alegre, questionado pela Agência Lusa.

Confrontado com estas declarações do ex-candidato presidencial, Santos Silva disse «concordar em absoluto».

«Comparado com o Manuel Alegre, com a sua história, com o seu futuro, sinto-me um pigmeu à beira de um gigante», afirmou, em declarações à Lusa.

Em relação às críticas de Alegre, Santos Silva não teme que signifiquem um afastamento do partido, antes «pelo contrário».

«Prezo suficientemente a democracia para saber o que é um debate vivo e leal. Não abdico do meu direito de exercer o debate e a crítica política, da mesma forma que reconheço ao Manuel Alegre o direito de criticar tudo o que acha criticável, no partido e no mundo», disse.

«Esse debate só enriquece o PS», acrescentou Santos Silva.

Na quarta-feira à noite, numa sessão de apresentação da moção de José Sócrates ao Congresso do PS, o dirigente socialista (e ministro dos Assuntos Parlamentares) Augusto Santos Silva disse gostar de «malhar na direita», deixando também críticas aos partidos à esquerda do PS.

«Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida, e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao Bloco de Esquerda», afirmou Santos Silva, que se referiu às questões internas do partido como «minudências».

Na mesma sessão, o histórico militante socialista Edmundo Pedro disse haver no PS quem não se pronuncie por medo, palavras que mereceram o elogio de Manuel Alegre.

«Em primeiro lugar queria dizer que a atitude do meu camarada Edmundo Pedro, com os seus 90 anos, é um exemplo para aqueles que se calam por oportunismo, por conveniência, por medo. É uma grande lição», elogiou Alegre, sublinhando que a discussão da situação interna do partido «não são minudências».

Por outro lado, o dirigente socialista lamentou o tom usado por Santos Silva numa reunião partidária aberta.

«Não tem a ver com a nossa cultura, nós combatemos politicamente, em democracia não há inimigos, há adversários, não é normal numa reunião política daquela responsabilidade vir falar numa linguagem daquelas, é uma questão de educação mas é também de formação política», considerou.

Também à Lusa, Santos Silva salientou que, na reunião de quarta-feira, saudou as três moções socialistas e atacou «politicamente a direita, o PCP e o BE», como «uma linguagem própria de quem está numa reunião partidária».

«Disse que numa sessão aberta, como era aquela, não iria tratar de questões de governança interna do partido», afirmou o também ministro dos Assuntos Parlamentares.

Lusa/SOL



 

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