O empresário Domingos Névoa, um dos proprietários da empresa Bragaparques, que celebrou vários contratos com a Câmara de Lisboa e foi condenado em Fevereiro passado por corrupção numa acção denunciada por José Sá Fernandes, foi nomeado para presidente do Conselho de Administração da empresa intermunicipal Braval, de tratamento de resíduos sólidos, em que participam os municípios de Braga, Póvoa do Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras do Bouro e Vieira do Minho.
«Isto é um insulto, todos dizemos que queremos combater a corrupção e portanto não podemos pôr [Domingos Névoa] como presidente do Conselho de Administração de uma empresa, votado por câmaras do PS, do PSD e do CDS nesta nomeação. Acho uma coisa inqualificável. Não é assim que se combate de facto a corrupção que todos dizemos que queremos combater», declarou à Lusa José Sá Fernandes.
O vereador explicou que na carta aberta enviada a José Sócrates, Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas apela aos três líderes partidários para que repudiem a nomeação de Domingos Névoa para aquela empresa.
«Não posso fazer mais do que isto, apelar às pessoas para que repudiem esta nomeação», vincou.
Na carta dirigida aos três lideres partidários, e que é publicada hoje no matutino Diário de Notícias, José Sá Fernandes reclama dos líderes dos três partidos «uma firme posição de repúdio por esta eleição» sob pena de, politicamente, «também serem cúmplices delas».
José Sá Fernandes recorda que Domingos Névoa «está igualmente pronunciado por outra acção de corrupção, desta feita em Coimbra» e que a eleição para a presidência da Braval «ocorreu sem que os autarcas responsáveis por esse voto tivessem publicamente suscitado qualquer questão quanto à escolha daquela pessoa».
«Tal comportamento é um insulto a todos os eleitos locais que não são permeáveis a qualquer forma de corrupção ou de tráfico de influências. E é um insulto às populações que os elegeram, confiadas que os seus eleitos locais seriam intransigentes no combate a essas práticas, que corroem a nossa economia e a nossa democracia», diz a carta.
Domingos Névoa foi condenado a 23 de Fevereiro a uma multa de 5 mil euros pelo crime de corrupção activa para a prática de acto lícito.
O vereador José Sá Fernandes, assistente no processo, foi o alvo da tentativa de corrupção, ocorrida em 2006.
Domingos Névoa pretendia que Sá Fernandes desistisse da acção popular que tinha interposto contra o negócio da permuta dos terrenos do Parque Mayer, propriedade da Bragaparques, pelos da Feira Popular, propriedade da autarquia lisboeta.
Lusa / SOL