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Europa
Direita confirmada, esquerda castigada
Berlusconi (Itália), Merkel (Alemanha) e Sarkozy (França) resistiram à contestação nas urnas nas eleições europeias de ontem. O mesmo não sucedeu, por exemplo, em Inglaterra e Espanha, onde a esquerda saiu castigada. Tal como em Portugal
 
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O Governo português do PS, liderado por José Sócrates, não foi o único socialista europeu a ressentir-se nas urnas. Em Inglaterra, o Labour de Gordon Brown foi severamente castigado pelo escândalo das despesas dos deputados e acabou em terceiro lugar, com 15,3% dos votos, atrás do UKIP (UK Independence Party), um pequeno partido que defende a saída da Grã Bretanha da União Europeia.

Apesar de alguns meios de comunicação britânicos terem chegado a admitir a possibilidade de os trabalhistas ficarem em quarto lugar, o Labour conseguiu – apesar do pior resultado desde a II Guerra Mundial - eleger mais um eurodeputado do que os liberais-democratas (11 contra 10).

Fraco consolo, comparado com a esmagadora vitória dos conservadores de David Cameron, com 28,6% e 24 eleitos, e dos pequenos nacionalistas do UKIP, com 17,4% e 13 eurodeputados. Já hoje, continuou a sangria no governo de Gordon Brown com a demissão de mais um ministro: desta vez foi a responsável pela pasta do Ambiente, Jane Kennedy.

Em Espanha, José Luis Zapatero sofreu a sua primeira derrota numas eleições nacionais. O seu principal rival, Mariano Rajoy venceu as europeias de ontem com uma vantagem de quase 4% em relação ao PSOE, que perdeu 700 000 votos em cinco anos.

Os populares elegeram 23 deputados e os socialistas 21. Analistas atribuem o mau resultado de Zapatero (que, ao contrário de Sócrates, só terá novas eleições daqui a três anos) ao péssimo clima económico espanhol, que tem a maior taxa de desemprego da Europa e uma das maiores , senão a pior, recessão desde a Guerra Civil dos anos 30.

Razões para festejar têm Angela Merkel, Nicolas Sarkozy e Silvio Berlusconi. Em Itália, os escândalos, nomeadamente os ligados à constituição da lista para as Europeias, voltaram a não afectar Il Cavaliere, que venceu por com 35%, apesar de abaixo dos 40% que tinha como meta.

A chanceler alemã, por seu lado, parte confortável para as eleições legislativas que disputará em Setembro, tendo conseguido 38% dos votos, 34 deputados contra 23 do SPD – apesar de ter baixado significativamente dos 44,5% que obtivera em 2004.

Finalmente, Sarkozy. Obteve 28,5% dos votos, a uma distância considerável dos socialistas, que apenas conseguiram 17%, empatados com os verdes, em número de eleitos. A UMP conseguiu 30 deputados contra 14 do PS e verdes.

No resto da Europa, o destaque vai para o descalabro dos socialistas, que passaram de 217 eurodeputados para 163. Mas o PPE também desce, tendo eleito 263 deputados, contra os 288 que tinha alcançado em 2004. Apesar de tudo, mais 100 deputados do que os socialistas, portanto.



 

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