Em causa está uma área substancial das ruínas de Conímbrigra - entre outras, o anfiteatro, o segundo fórum da cidade e parte da Casa dos Repuxos, ex-libris daquele conjunto monumental - que se mantém longe dos olhares dos visitantes, no subsolo de terrenos particulares.
Uma situação, lê-se no projecto de resolução, que dura desde as últimas expropriações, na década de 40, há quase 60 anos.
“È uma situação gravíssima, revolta qualquer pessoa. Denota que o País tem muito pouco respeito por aquele património”, disse hoje à agência Lusa Miguel Almeida.
No projecto de resolução, o deputado lembra que dos 22 hectares de extensão máxima da cidade romana, que é monumento nacional, e apesar da zona de protecção criada por portaria de 1971, apenas 14 são propriedade do Estado, subsistindo oito na posse de particulares.
Classifica de “insustentável e inadmissível que o Estado não tenha, ainda hoje, em seu poder e sob sua administração toda a área relevante necessária para a preservação deste conjunto histórico, arqueológico e arquitectónico verdadeiramente ímpar”.
No texto lê-se ainda que o anfiteatro de Conímbriga é “o único anfiteatro romano conservado em território nacional em condições de ser exposto e valorizado”.
Já o segundo fórum da cidade romana, encontra-se “soterrado sob um olival, como uma ilha no meio do perímetro visitável”, explica.
“O terreno pertence a sete proprietários diferentes”, exclamou.
Considerando “inacreditável” que, até hoje, “nunca ninguém tenha assumido que era preciso resolver a situação” de Conímbriga, o deputado social-democrata eleito por Coimbra sustenta que o problema das ruínas romanas é “óbvio”.
“Lamentavelmente, é mais um exemplo que neste país o óbvio não se faz”, frisou.
O documento, que Miguel Almeida espera ver aprovado por unanimidade na sessão plenária - a votação, sublinha, deverá ocorrer a 10 ou 23 de Julho - recomenda ao Governo a adopção de “medidas urgentes”, desde logo a expropriação ou aquisição dos terrenos em falta.
Por outro lado, preconiza que avance “em definitivo” a escavação, conservação, restauro, classificação e valorização da parte não visível das ruínas romanas “tendo em vista revelar e preservar adequadamente a totalidade do acervo arquitectónico, histórico e patrimonial de Conímbriga”.
O Projecto de Resolução recomenda ainda ao Governo a necessidade de dotar as entidades públicas responsáveis pela tutela e gestão do sítio de Conimbriga dos meios necessários à prossecução dos referidos projectos.
Lusa/SOL