Na opinião do conhecido comentador político, se os partidos da oposição ao governo socialista suspendessem a avaliação, seria difícil chegar-se a um consenso sobre o novo modelo de avaliação, já que - frisou - «muito provavelmente o projecto do Governo, seria diferente do do PSD e do do CDS, e estes igualmente diversos dos do Bloco de Esquerda ou do PCP».
Marcelo falava no ciclo de conferências Portugal 2010, organizado pela Confraria do Bom-Jesus na Colunata de Eventos, acto em que participou o Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga.
Marcelo Rebelo de Sousa defendeu a não-suspensão do actual modelo, mas numa óptica da sua alteração a curto prazo, - se possível em 15 dias - mesmo que seja através de um método de avaliação mínimo, feito «com base na auto-avaliação, na autonomia das escolas e dos seus conselhos executivos e com um mínimo de burocracia».
O comentador entende que, se a oposição suspendesse o actual modelo - «recorrendo a uma coligação negativa» - , o Governo faria «birra» e não apresentaria nenhuma alternativa, sendo difícil que a oposição chegasse a um consenso, dadas as disparidades existentes entre os respectivos projectos.
Assinalou que «mesmo os organismos sindicais estão de acordo quanto à necessidade de suspensão do actual modelo, mas não acontece o mesmo sobre o modelo subsequente a aplicar».
Disse acreditar que os professores querem manter um sistema de avaliação, que lhes permita a progressão na carreira, mas defendeu que o actual modelo «já deu provas de ineficácia e de ser apenas causador de atritos e conflitos nas escolas».
Lusa / SOL