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Manuel Alegre
«É preciso repor a decência na nossa vida política»
O socialista Manuel Alegre afirmou esta segunda-feira que é preciso «repor a decência», dizendo que justiça e política não podem misturar-se e que a corrupção tem de ser combatida com as regras de um Estado de Direito
 
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O ex-candidato presidencial e ex-deputado socialista falava no final da sessão de apresentação de um livro que sintetiza um ano de publicações da revista Ops! (Opinião Socialista).

Manuel Alegre recusou-se sempre a falar em concreto no recente processo judicial Face Oculta e também se escusou a esclarecer se considera que os agentes da justiça estão a ter actuação política.

«Vejo muito mal este clima de tensão entre a justiça e a política. Isso é muito preocupante. Uma das questões dos sistemas políticos é hoje a corrupção, mas a corrupção tem de ser combatida com as leis, com as regras e os princípios do Estado de Direito democrático», advertiu o ex-candidato presidencial.

Manuel Alegre frisou depois que «não se pode combater um crime com soluções que não respeitam os princípios básicos de um Estado de Direito» e deixou uma crítica velada ao funcionamento do sistema judicial.

«Há muitas notícias nos meios de comunicação [sobre processos de justiça], mas, até agora, nada foi até ao fim. Ora, isto acaba por favorecer a corrupção. Não há soluções contra corrupção e há descredibilização da justiça e do sistema democrático», apontou.

O ex-candidato presidencial observou ainda que «há neste momento um clima de suspeição» nas instituições democráticas portuguesas.

«É preciso repor a decência na nossa vida política, assim como restabelecer a confiança e credibilização das instituições. Este deve ser o discurso de quem quer uma vida democrática sã. Os responsáveis políticos e da justiça não se podem misturar», salientou.

Interrogado se tem havido uma actuação política por parte dos responsáveis da justiça, Manuel Alegre respondeu apenas que tem «ideias sobre isso».

«Mas não vou falar agora sobre isso», declarou.

Lusa / SOL



 

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