A ausência de auto-crítica é comum aos candidatos à liderança do PSD, no final dos trabalhos em Mafra. Pedro Passos Coelho considera que continua «com boa embalagem», Rangel sai «mais confiante» e Aguiar-Branco recusa 'atirar a toalha ao chão', desvalorazando o aplaudómetro que o deixou para trás.
Os três estão plenamente satisfeitos com a sua prestação, que julgam sem falhas. Passos, que ontem irritou Alberto João Jardim, não admite ter cometido um erro estratégico ao interpelar o líder do PSD-Madeira.
«Não me arrependo de ter feito o que um candidato a líder deve fazer, que é saber ultrapassar divergências que possam existir, para poder acrescentar em união ao partido», respondeu, questionado pelo SOL. Sobre este episódio, que ontem irritou Alberto João Jardim, o candidato conclui: «Estou satisfeito». Quando lhe perguntaram o que lhe correu mal, respondeu de pronto: «Nada!»
Avisa porém os apoiantes de que a eleição não está ganha. «Não gosto de triunfalismos. Até ao lavar dos cestos é vindima», sentenciou, avisando para as duas semanas de campanha, antes das directas, «que são difíceis».
Paulo Rangel é ainda mais optimista. «Saio mais confiante», disse à saída aos jornalistas. O congresso foi uma «afirmação do PSD e da minha candidatura», resumiu. O candidato que neste congresso viu Alberto João Jardim e o líder da JSD, Pedro Rodrigues, manifestarem-lhe apoio, diz que os dois dias de trabalhos lhe deixaram a sensação de «dever cumprido». Mas sem excessos, sublinhou.
Questionado se do congresso tinha resultado uma bipolarização entre a sua candidatura e a da Passos Coelho, em prejuízo de Aguiar-Branco, disse: «Não vou fazer essa análise».
Aguiar-Branco foi dos três o que menos entusiasmou os delegados. Chegou a circular a informação de que estava prestes a desistir. O candidato garantiu que irá até ao fim e manifestou confiança nos militantes que ainda não se pronunciaram, ou seja, nos que não estiveram em Mafra.
«Sabemos que os congressos têm uma forma muito própria de mostrar a opinião dos participantes aos candidatos», declarou, referindo as «claques» que os dois principais oponentes tiveram em Mafra.
«Agora, há a participação de mais militantes, que são trinta ou quarenta mil que estão lá em casa». O «balanço geral é no dia 26», concluiu. Aguiar-Branco, dado como o derrotado deste congresso, repetiu ainda a frase que usava antes deste fim-de-semana: «a minha candidatura está em crescimento sustentado».
O outsider Castanheira Barros aproveitou a manhã para fazer propaganda de proximidade. Durante a votação das alterações estatutárias, percorreu as bancadas de militantes, distribuindo folhetos. «A renovação do PSD deve passar por um regresso às origens, ou seja, ao espírito de Sá Carneiro», escreveu no folheto que inclui o número do seu telemóvel e o email para que o contactem.
Nas declarações à saída, valorizou o «debate riquíssimo de ideias» ocorrido no congresso.
manuel.a.magalhaes@sol.pt
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