«Esta situação devia obrigar a uma reunião urgente das forças vivas do norte, nomeadamente da Junta Metropolitana, da Comissão de Coordenação, dos agentes empresariais… devia ser quase a organização de um congresso de emergência do norte político, económico e social, sob pena de um dia destes entrarmos numa decrepitude completamente irrecuperável», defendeu o autarca, em declarações à Lusa.
Menezes reagia, assim, à informação, avançada pelo Jornal de Notícias de hoje, que o Metro do Porto está em ruptura financeira e pode parar caso o Estado não injecte «rapidamente 200 milhões de euros até ao final do ano».
O presidente do município de Gaia considera que a situação se deve à «confusão e desnorte total do Governo» e à crise que o país atravessa, mas defende que os cortes deviam ser feitos noutras áreas.
«Não há crescimento económico, não há receita, só há impostos, não há forma de gerar riqueza. Todos temos de cortar, mas o Governo que comece por cortar. Que pare a obra do TGV, era o mínimo dos mínimos que podia fazer», explicou.
Menezes critica, ainda, a «lógica de descriminação negativa absolutamente inaceitável, no que toca às SCUT e a investimentos deste género».
«O Governo está a investir em Lisboa, só na linha para o aeroporto, mais de 200 milhões de euros. Isto é mais do que são as necessidades de curto médio prazo da Metro, para ligar a um aeroporto que, porventura, será para desaparecer», lamenta o autarca.
O social-democrata considera «paradoxal» dizer que «não se param obras públicas e que se vai continuar a investir em obras públicas» e «as obras em curso que não tem capacidade de se auto-financiar e arriscam parar».
Isto, diz, é «uma lógica de opções de planeamento absurda».
Menezes apela ao ministro das Obras Públicas para resolver a questão, mas admite que ele «é um homem só que não tem capacidade de impor os seus pontos de vista sensatos» e que «os secretários de Estado lutam contra ele no ministério».
Tendo por base uma carta que o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto enviou ao Ministério das Obras Públicas, o JN revela que as debilidades financeiras da empresa poderão «pôr em causa o cumprimento de compromissos assumidos, quer no que respeita a investimentos em curso [extensão a Gondomar e prolongamento até Santo Ovídeo], quer no que respeita ao serviço da dívida, da qual uma parte significativa tem garantia da República».
Contactada pela Lusa, a assessora de imprensa do ministro António Mendonça, Elsa Marujo, remeteu para o JN um comentário do Ministério das Obras Públicas sobre o assunto.
«Não há intenção do Ministério em acrescentar mais nada para além do que vem no jornal», disse a assessora.
Ao matutino, a assessora «rotulou a carta de ‘informação de rotina’» entre o Ministério e a empresa tutelada.
Assegurou ainda que «vai ser tudo tratado. Não há nenhuma situação de urgência».
Lusa / SOL