Fale-nos do seu percurso pessoal.
Nasci numa família tradicional da direita clássica, apesar de achar que o nacionalismo está para além dessa dicotomia da direita e da esquerda. Éramos tradicionais mas não conservadores, e deixámos de praticar o catolicismo tinha eu uma idade muito tenra. Reconverti-me mais tarde, tinha vinte e poucos anos. A minha família nesse aspecto é muito liberal.
Fui emigrante três anos, fomos para o Brasil quando eu tinha 15 anos. Não foi por nenhuma razão política, o meu pai era arquitecto e deixou de ter trabalho em Portugal depois do 25 de Abril. Portanto, sei muito bem o que é ser imigrante noutro país. Não estou a ser ingrato nem a ser mau para nenhum imigrante.
Onde viveu no Brasil?
No Rio de Janeiro. Na verdade só conheço o estado do Rio de Janeiro. Fui uma vez a Minas Gerais. Quando voltei, tinha eu 18 anos, senti o bichinho de ser activista. Estávamos no pós-PREC, numa altura ainda muito quente, e tive que lutar contra o medo da minha família, que via as manifestações na rua.
A família não queria que tivesse actividade política ou não o queria ver ligado à extrema-direita?
À política, mas sobretudo a um sector que era mais perigoso. Não havia manifestações do 10 de Junho ou do 1 de Dezembro em que não houvesse pancadaria. Havia perseguição política da mentalidade marxista da altura.
De onde vem o ‘bichinho’ do activismo nacionalista?
Bem, quando foi o 25 de Abril, tinha eu 13 anos, não sabia nada de política. Era um miúdo. Tomei consciência das coisas depois, e à medida que tomava consciência das coisas, sentia que era um nacionalista. Sempre entendi a nação como um prolongamento natural da família. Não quis ser um espectador a ver o país degradar-se de dia para dia. As ruas eram dominadas pela esquerda. Em 1980, tinha 19 anos, fui à sede do Movimento Nacionalista oferecer ajuda para colar cartazes e foi aí que conheci outros militantes.
Qual foi o seu percurso académico?
Quando voltei para Portugal entrei em Direito na Católica. Mas quando se escolhe o curso muitas vezes somos imaturos. Nem era mau aluno, mas no segundo ano achava aquilo uma seca e fui para o IADE tirar Artes Gráficas. Hoje em dia estou quase sem trabalho. Estou a viver em balanço até 2009, porque acredito que aí o PNR vai dar um grande salto e acredito que aí, até a minha vida vai dar um salto.
Não tem trabalho por falta de tempo ou de encomendas?
As duas coisas. Por um lado é consequência de estar envolvido numa actividade partidária. Por outro, é inequivocamente consequência de estar neste partido. Comecei a ser rejeitado.
Ser líder do PNR também tem consequências a nível familiar?
No âmbito mais alargado da família, os Pinto Coelho são tanto de esquerda como de direita. Sou primo direito da Sofia Pinto Coelho, jornalista da SIC, e ela não é de direita. Acima de tudo, somos todos muito amigos. Há um óptimo relacionamento entre todos.
A um nível mais nuclear, a minha família próxima apoia-me do ponto vista das ideias, mas claramente não me apoia no ponto de vista da acção. Da prática, da exposição pública, não apoiam. Há bastante resistências familiares, porque a exposição comporta riscos e sacrifícios pessoais.
ana.c.camara@sol.pt e pedro.guerreiro@sol.pt
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