Marques Mendes falava num jantar comemorativo do primeiro aniversário da concelhia social-democrata vila-condense, presidida pelo advogado Pedro Brás Marques e que congratula-se de ser a estrutura local do partido com o maior número mulheres filiadas, com um total de cerca de quatro centenas.
Numa intervenção que começou às 23h45 e terminou já de madrugada, o líder do PSD investiu a maior do tempo a criticar a actual política económica e não teve uma única palavra sobre a crise na Câmara de Lisboa, que deverá ser ultrapassada com a realização de eleições intercalares.
A autarquia lisboeta esteve presente antes, pela voz do presidente da distrital do Porto e vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata.
Agostinho Branquinho elogiou a «coragem e a coerência» que na sua opinião Marques Mendes mostrou face a essa questão.
Na linha do que o secretário-geral do partido, Miguel Macedo, afirmou dias antes, no Parlamento, Branquinho acrescentou que a atitude de Marques Mendes contrasta com a do PS, que em Oeiras assinou «um pacto diabólico e imoral» com a maioria municipal liderada por Isaltino Morais (ex-PSD), o que, segundo concluiu, é fruto de «uma completa hipocrisia política e impede a realização de eleições intercalares».
Marques Mendes dividiu o seu discurso em dois grandes capítulos: o facto de Vila do Conde ser um concelho que o PSD nunca governou e, em especial, a situação económica portuguesa, referindo que Portugal cresce «metade da média europeia e um terço da Espanha».
A quebra de investimento, na sua perspectiva, é um dos grandes responsáveis pelo actual estado da economia portuguesa. «Há dois anos consecutivos que [o investimento] está a cair», afirmou Marques Mendes, adiantando que as consequências têm sido «mais desemprego e mais exclusão social».
O seu discurso centrou-se depois num dos temas mais recentes da agenda do PSD: a emigração, uma realidade do «tempo da ditadura» que «voltou a Portugal» e tem forçado muitos trabalhadores a sair para Espanha e outros países.
«Foi preciso um governo socialista chegar ao poder [para que tal acontecesse]. É nisso que dá a injustiça social», apontou o líder do PSD.
O alvo seguinte foi a política governamental no campo da saúde, que, segundo a sua análise, «reduz tudo a somar e a subtrair».
«Na saúde, a política do PSD há-de ser diferente [quando voltar ao poder], porque não somos um partido liberal, mas sim social-democrata», defendeu.
Marques Mendes regressou depois aos assuntos económicos, para reclamar uma «aposta nas pequenas e médias empresas» e prometer que, no dia em que o seu partido regressar ao governo, «haverá um ministro das PME», algo que «nunca existiu em Portugal».
O líder do PSD defendeu, ainda, a baixa de impostos, nomeadamente do IVA e do IRC como forma de «atrair investimento e as empresas, gerar riqueza e criar postos de trabalho».
Tal como Agostinho Branquinho tinha defendido antes, quando discursou perante as cerca de sete centenas de pessoas que encheram o salão do Rancho do Monte, em Vila do Conde, também Marques Mendes acredita ser possível «roubar» Vila do Conde aos socialistas.
«Não me venham dizer que é difícil [conquistar a autarquia local]; se é difícil é connosco», proclamou, realçando que «permanecer muitos anos no poder dá no que dá, perde-se iniciativa e energia».
Marques Mendes deu como exemplo o caso de Vila do Conde, que «nos últimos anos tem parado e perdido influência».
Lusa/SOL