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Causa Real
Monárquicos apelam «à não-violência» com petição de luto nacional a 1 de Fevereiro
A petição para que o próximo 1 de Fevereiro seja declarado dia de luto nacional, em memória do Rei D. Carlos e do Príncipe Luís Filipe, assassinados há cem anos, «é um apelo à não-violência»
 
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A afirmação é de João Paredes, presidente da Real Associação da Madeira (RAM), líder da iniciativa que congrega todas as 21 associações federadas na Causa Real.

«Além de recordar a morte do chefe de Estado, e do seu herdeiro directo, esta petição é um apelo à não-violência», disse João Paredes.

A petição, que se encontra on-line em http://www.petitiononline.com/1fev2008, reuniu já cerca de 4 mil assinaturas, as necessárias para ser entregue no parlamento e que para este leve a plenário a proposta dos monárquicos.

«Este dia tem apenas um sentido simbólico e é a oportunidade do Estado português desagravar a memória de um Rei que era o chefe de um Estado democrático», disse António de Sousa Cardoso, presidente da Causa Real.

«É necessário que se saiba que democracia e partidos políticos já existiam antes da República, esta não foi libertadora, assenta antes num crime», acrescentou.

Crime, que segundo João Paredes «é contra natura da nossa tradição de brandos costumes».

O presidente da RAM espera que esta petição «suscite um debate em torno do regime político» que possa levar «daqui a um tempo» ao agendamento de um referendo sobre esta matéria.

Os dois dirigentes monárquicos sublinham que D. Carlos, assassinado a tiros de carabina na Praça do Comércio, em Lisboa, na tarde de 1 de Fevereiro quando regressava de Vila Viçosa, «foi um acto intolerável», pois era um monarca constitucional.

«Apenas pretendemos que a bandeira nacional, verde e rubra, seja simbolicamente colocada a meia haste em sinal de luto, não queremos feriado para ninguém, apenas um sinal de pesar pela morte de um soberano constitucional», sublinhou Sousa Cardoso.

Os monárquicos contam entregar a petição ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, «no final deste mês», mas fonte do seu gabinete disse que «nada está agendado».

A petição on-line apresenta também várias afirmações anti-realeza que João Paredes afirmou deverem ser encaradas com «desportivismo».

«Vivemos em liberdade e tal como os monárquicos têm direito a expressar as suas opiniões, outras sensibilidades também o têm, mas ninguém mata ninguém», argumentou Paredes.

Do total de 3661 assinaturas «haverá cem que não são representativas, e são antes de pessoas que pretendem expressar uma ideia diferente».

Em Portugal existem filiadas na Causa Real cerca de 8 mil pessoas, sendo a maior parte pertencente à Real Associação de Lisboa, com mais de 3 mil inscritos, seguindo-se Porto (cerca de 1500) e Viana do Castelo (900), segundo dados fornecidos por Sousa Cardoso.

A mais pequena é a Real Associação da Europa, com sede em Bruxelas, com menos de 50 filiados. Em termos do território nacional as mais pequenas são as de Bragança, Guarda e Portalegre com menos de 100 inscritos cada.

Todavia os dois líderes monárquicos afirmam que «a quota de simpatia pela monarquia é muito mais elevada, estes números são os militantes da causa».

João Paredes exemplifica afirmando que estão inscritos na RAM cerca de 200 pessoas, mas os seus convívios reúnem cerca de quinhentas.

Para Paredes, «os portugueses começam a olhar para as monarquias desenvolvidas da Europa e não questionam a República, pois quando nasceram esta já estava instituída e há ainda quem relacione o ideal monárquico com palácios e cabeleiras empoeiradas».

Prevista para o próximo dia 1 de Fevereiro está também uma concentração na Praça do Comércio pelas 17h, para o qual são convidados «todos quantos reprovam a violência como arma política», como se lê no site da evocação - www.regicidio.org - da responsabilidade da Aliança Internacional Monárquica Portuguesa.

Às 19h, na igreja de S. Vicente de Fora, onde se encontra o Panteão Real, em Lisboa, realiza-se um Requiem Soleníssimo presidido pelo Cardeal Patriarca, D. José Policarpo.

Hoje em Lisboa, ao princípio da tarde, o Duque de Bragança, Duarte Pio de Bragança, chefe Casa Real Portuguesa, apresenta à imprensa a comissão que irá coordenar um conjunto de iniciativas em memória do Rei D. Carlos.

Lusa / SOL



 

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