Segundo a fonte, os processos foram já entregues ao departamento jurídico da Câmara de Gaia, de modo a que possam agora seguir a via judicial.
O deputado do BE João Semedo acusou hoje o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes (PSD), de favorecer a «especulação imobiliária» na decisão de desalojar as 58 famílias que vivem na escarpa da Serra do Pilar, considerada em risco de derrocada.
«Esta decisão tem a marca distintiva da gestão do Dr. Filipe Menezes em Gaia, onde o favorecimento da especulação imobiliária se sobrepõe sistematicamente ao melhor interesse dos gaienses, e em particular das populações mais desfavorecidas», refere João Semedo, em comunicado distribuído após uma visita à Serra do Pilar.
Também o presidente da «distrital» do Porto do PS, Renato Sampaio, acusou sexta-feira a Câmara de Gaia de ceder a «interesses imobiliários» para retirar as famílias que moram na escarpa da Serra do Pilar.
«Em nome de interesses imobiliários, estão a ser desalojados os moradores da Escarpa da Serra do Pilar» afirmou Renato Sampaio, numa conferência de imprensa realizada em Gaia.
A fonte da autarquia adiantou que os dois políticos vão agora ser alvo de queixas-crime por difamação, uma decisão entretanto confirmada pelo vereador Mário Fontemanha.
«É absurdo, é trauliteirismo político dizer que existem interesses imobiliários por trás desta decisão [de despejo], que foi motivada apenas por questões de segurança. A zona em causa vai ser renaturalizada, visto pertencer à Reserva Ecológica Nacional, e preservada de acordo com o relatório do LNEC [Laboratório Nacional de Engenharia Civil]», afirmou o autarca.
A Câmara de Gaia já pediu ao Ministério das Finanças, proprietário dos terrenos, informação sobre se existe algum projecto imobiliário para o local, tendo Fontemanha garantido que até ao momento a autarquia desconhece qualquer plano desse tipo para o local.
«E mesmo que venha a confirmar-se que existe a Câmara nunca o autorizará», sublinhou, classificando de «mentirosos, sem qualquer fundamento político ou legal», aqueles que denunciaram a alegada existência de interesses imobiliários.
Lusa / SOL