«Mais vale tarde do que nunca, mas que ninguém se demita das suas responsabilidades em relação àquilo que fizeram no plano da formação e da educação dos jovens», afirmou o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, num comentário ao discurso do Presidente da República na sessão solene comemorativa do 25 de Abril.
O Presidente da República, Cavaco Silva, mostrou-se hoje «impressionado» com a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado e denunciou uma «notória insatisfação» dos portugueses com o funcionamento da democracia.
No seu discurso, Cavaco Silva divulgou extractos de um estudo que mandou realizar sobre o alheamento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade aos partidos políticos.
Para o secretário-geral do PCP, «é preciso lembrar que a culpa não pode morrer solteira», afirmou, frisando que «as políticas dos sucessivos governos atingem os jovens» e sublinhando que os manuais escolares «dedicam apenas um parágrafo» ao 25 de Abril na Historia de Portugal.
Já Francisco Louça, líder do Bloco de Esquerda, considerou que «não é preciso qualquer paternalismo ou chorar lágrimas de crocodilo», frisando que «não há hoje políticas que promovam a participação política dos jovens».
«Quanto às preocupações com os critérios da democracia, que pena que não as tenha tido há uma semana atrás quando foi à Madeira e podia e tinha que ter exigido clareza e coerência», afirmou, referindo-se à visita recente do chefe de Estado à Madeira, sem direito a sessão solene na Assembleia Legislativa Regional.
A deputada do Partido Ecologista «Os Verdes» Heloísa Apolónia defendeu ser essencial «respeitar a palavra dada» para a credibilidade da vida política.
«A seriedade da acção governativa de assumir um compromisso com o eleitorado e respeitá-lo é essencial para a credibilidade da vida política», disse, acusando o Governo do PS de fazer o inverso.
À direita, o líder da bancada parlamentar do PSD considerou que «o presidente da República tem toda a razão no que disse», reconhecendo haver «uma certa indiferença em relação aos pensamentos e sentimentos dos cidadãos comuns».
Santana Lopes considerou que o facto de se «fazer da democracia uma ficção em relação ao que é a realidade da vida das pessoas com certeza que traduz também autismo».
Questionado sobre se a situação actual do PSD contribui para a descrença dos cidadãos na vida política, Santana Lopes recusou essa ideia e defendeu que «as renovações dos partidos políticos dão força à democracia».
Quanto ao CDS-PP, Paulo Portas associou-se às «críticas do Presidente da República com a forma repetitiva como a cerimónia na Assembleia da República é feita» e que «não chega aos cidadãos».
Sobre o funcionamento da democracia, Paulo Portas considerou que «o Governo PS fez um conjunto de compromissos que não foram honrados até ao momento», frisando que a credibilidade da política passa pelo cumprimento da palavra.
O líder democrata-cristão criticou o ensino da História nas escolas portuguesas, afirmando que «foi desvalorizado por uma cultura errada que nasceu com o PREC» [designado processo revolucionário em curso] que levou a «uma confusão de valores e à desvalorização do ensino da História».
Do lado do PS, o porta-voz, Vitalino Canas, disse não ver «nenhuma crítica aos partidos políticos» nas palavras do Presidente da República a propósito do funcionamento da democracia.
«Penso que, de futuro, todos os agentes políticos terão essa missão de tentar mobilizar mais os jovens», afirmou Vitalino Canas, afirmando concordar com as preocupações do Presidente da República nesta matéria.
Lusa/SOL