«É bom que os portugueses saibam que quando este primeiro-ministro entrou se pagava cerca de 68 cêntimos de imposto por litro de gasolina. Actualmente, paga-se mais de 83 cêntimos de imposto pelo mesmo litro de gasolina», referiu Paulo Portas em Monção, no final de uma visita à Adega Cooperativa local, inserida na ronda que está a efectuar por todo o País, para preparar os actos eleitorais de 2009.
Paulo portas defendeu que, num momento de crise e de dificuldade, «é preciso repartir os sacrifícios», o que, na sua opinião, não está a acontecer, já que «recai tudo sobre o contribuinte, sobre as empresas e sobre os consumidores».
«As companhias compram a matéria-prima mas vão mantendo a sua margem [de lucro], o Estado arrecada mais imposto e recai tudo sobre o contribuinte, sobre as empresas e sobre os consumidores. Isto não pode ser, não há uma justa repartição do sacrifício», acrescentou.
Para Portas, a situação «absolutamente anómala» nos preços dos combustíveis «prejudica gravemente» as empresas e o poder de compra da classe média.
«Eu acho que o primeiro-ministro não tem os pés na realidade. Como é que as empresas vão suportar os preços dos combustíveis? Das duas uma: ou despedem pessoas ou aumentam os preços, repercutindo no consumidores. E isso significa uma situação a todos os títulos indesejável: Portugal não tem crescimento económico e tem inflação», disse ainda.
Por isso, Portas deixa o conselho a José Sócrates: «Preocupe-se mais com os assuntos e deixe de usar o tom sobranceiro com que se refere a quem não pensa como ele e com que, às vezes, despreza questões muito importantes, como o poder de compra e a competitividade da economia portuguesa.»
O líder democrata-cristão disse que a classe média portuguesa e as pequenas e médias empresas «estão a passar um momento muito difícil» e as pessoas «estão cercadas» pelas altas taxas de juro, pela subida dos preços e pela «enorme» carga fiscal.
As questões económicas e sociais, aliadas à «falta de autoridade» do Estado e à segurança de pessoas e bens, estão na base da moção de censura ao Governo que o CDS-PP vai apresentar na próxima semana.
«Esta é a primeira moção de censura global a este Governo», lembrou Portas.
Em matéria de segurança, o líder do CDS-PP afirmou que o Governo socialista cometeu três erros em outras tantas leis orgânicas.
«A lei orgânica da GNR terminou com um veto do Presidente da República. A lei orgânica da PSP foi um desastre que conduziu ao erro na política de efectivos, ficámos com menos polícias do que o que tínhamos. A lei orgânica da Polícia Judiciária morre pelo Tribunal Constitucional», afirmou.
Lusa/SOL