Em ofício remetido ao Destacamento de Portimão da GNR, a que a Lusa teve acesso, Marcos Aragão Correia comunicou que Leonor Cipriano lhe afirmou terça-feira, no Estabelecimento Prisional de Odemira, que «o assassino João Cipriano lhe afirmou que havia enterrado o corpo nos montes da Figueira», em «uma casa abandonada».
O mandatário da mãe de Joana no processo de alegadas agressões que envolve actuais e ex-inspectores da Polícia Judiciária, para obterem uma confissão de Leonor Cipriano, salientou na carta que a sua constituinte «garante» as afirmações do seu irmão e tio da menina «naqueles dias» que sucederam ao desaparecimento.
«[Leonor Cipriano] lembra-se que foi (...) mencionado pelo mesmo uma casa abandonada, embora não se recorde das circunstâncias específicas em que o homicida o fez, se na presença de terceiros ou não, e se referindo-se à ocultação do cadáver da menina ou não», acentuou o advogado na carta enviada para a GNR por fax.
A menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, Portimão, Algarve, a 12 de Setembro de 2004, e o Supremo Tribunal de Justiça condenou Leonor Cipriano e João Cipriano (irmãos) a 16 anos de prisão cada um, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.
Na sequência dos interrogatórios no «caso Joana» realizados na PJ de Faro, três inspectores são acusados de crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e de omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento.
Na penúltima sessão de julgamento, no Tribunal de Faro, Leonor Cipriano alterou o depoimento e atribuiu a morte da menina ao tio, João Cipriano, que disse tê-la convencido a entregar a filha a uma família, recebendo uma contrapartida financeira.
A próxima sessão do julgamento das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da Polícia Judiciária está calendarizada para 20 de Fevereiro.
Lusa/SOL
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