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'Desobediência civil' da ANF
Farmacêuticos atiram responsabilidade para doentes
João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), enviou uma circular às associadas explicando o que vai acontecer a partir de 1 de Abril. A prometida ‘desobediência civil’, afinal, já não vai acontecer. Os farmacêuticos são incentivados a deixar para os doentes a decisão de mudar o receituário dos médicos
 
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Farmacêuticos atiram responsabilidade para doentes

Segundo a circular de 30 de Março enviada para todas as farmácias da ANF, a que o SOL teve acesso, Cordeiro explica que «a partir do próximo dia 1 de Abril, as farmácias vão dispensar todos os medicamentos pela Designação Comum Internacional (DCI)», uma prática que, diz o presidente da ANF, já existe nos hospitais.

E isto porque, acrescenta, «os doentes, em especial os mais idosos e carenciados, não têm condições económicas para adquirirem todos os medicamentos que necessitam».

Farmacêuticos atiram responsabilidade para doentes

Ora, durante a campanha eleitoral para a presidência da ANF – que voltou a ganhar -, Cordeiro prometera que as farmácias iam passar a vender aos utentes sempre o genérico mais barato, mesmo nos casos em que o médico não autorizasse a substituição do medicamento de marca receitado. Mas esta circular vem anunciar algo ligeiramente diferente.

De acordo com o documento, o presidente da ANF explica aos seus associados que, a partir de 1 de Abril, os utentes vão ser informados da diferença de preço entre o genérico mais barato no mercado e o medicamento de marca, sendo «dispensado ao doente o medicamento que por ele for solicitado, dentro da mesma substância activa, dose e forma farmacêutica».

Quando o doente optar pelo remédio de marca, «deve ser informado pela farmácia do montante que pagou a mais por não ter optado pelo genérico» – uma diferença que estará assinalada no talão de venda. «Esta é a nossa contribuição para termos preços mais justos para os medicamentos e aliviar o encargo dos doentes», diz ainda Cordeiro na circular interna da associação.

A ‘prometida ‘desobediência civil’ dos farmacêuticos transforma-se, assim, numa ‘desobediência’ dos próprios doentes. A que Cordeiro junta uma «campanha nacional de informação» sobre o preço dos medicamentos, diz a circular.

Esta campanha inclui - para além do dispositivo informático que permite a inscrição no talão de venda da frase «Se tivesse optado pelo medicamento genérico pagaria menos xx euros» - folhetos para distribuir aos utentes e vários cartazes para pôr dentro e fora da farmácia.

Além disso, anuncia ainda o presidente da ANF nesta circular, iniciar-se-á uma campanha nas rádios e televisões sob o lema «Agora já pode escolher o medicamento mais barato. Pague menos pela qualidade. Aconselhe-se com o seu farmacêutico».

Cordeiro defende há anos uma alteração substancial na lei, que obrigue, como pretende agora mais uma vez, os médicos a preencher as suas receitas apenas com o DCI, impedindo-os assim de designar o medicamento (marca/laboratório) exacto que pretendem que o seu doente tome. Isto com o objectivo de permitir aos farmacêuticos indicar aos doentes, por exemplo, o medicamento mais barato do grupo da DCI prescrita.

graca.rosendo@sol.pt

 

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