A Embaixada da Rússia em Portugal recusou hoje os pedidos de visto feitos pela família de acolhimento da menina russa Alexandra, que a acolheu em Barcelos nos últimos quatro anos, disse à Lusa um dos envolvidos no processo.
A menina foi entregue à mãe biológica na sequência de uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça, tendo partido na última semana para a Rússia.
Os pais de acolhimento pretendem ir a Moscovo a convite de uma televisão russa para participar num programa dedicado ao tema. A recusa do visto pedido pelos pais, que se encontram ainda na embaixada, em Lisboa, abrangeu também o advogado que os representa, João Araújo.
No mesmo dia, o diário russo Komsomolskaia Pravda escreve hoje que a chegada de Alexandra à Rússia, que a mãe biológica apresenta como uma vitória sua sobre a justiça portuguesa, está longe de ser tão brilhante como ela desejaria
«A mãe de Alexandra apresenta o regresso da filha à Rússia como sua vitória pessoal na luta contra a justiça portuguesa. Mas essa vitória mostrou não ser tão brilhante como desejaria Natália Zarubina», escreve a edição do tablóide.
As jornalistas do diário russo escrevem: «Casa velha, pontas de cigaro numa lata de conservas, fumo de tabaco dentro de casa e parentes bebâdos ou de ressaca rodeiam agora a 'nova' infância de Alexandra».
«A mamã fica artisticamente sensibilizada com um raminho de flores que a filha lhe oferece, não se esquecendo, ao mesmo tempo, de, em frente das câmaras de televisão, dar umas palmadas à menina pela 'educação portuguesa'», ironizam as jornalistas.
«A criança não compreende russo. Segundo o seu avô, Serguei Nikolaevitch, eles aprenderão mais depressa português do que a menina aprenderá a grande e poderosa (adjectivos que os russos emprega para sublinhar a importância da língua russa). Em Setembro, ela deve ir para o infantário, mas desconhece-se como irá contactar com outras crianças. Agora, ela brinca apenas com o seu primo», continuam.
As jornalistas chamam também atenção para o facto de Alexandra não ter quarto próprio e viver no mesmo quarto com a mãe e a avó.
O Komsomolskaia Pravda escreve que este processo está a ter forte repercussão na opinião pública russa.
A menina, de seis anos e filha de uma imigrante russa, estava à guarda de uma família de Barcelos há quatro anos, mas uma decisão judicial de 2008 determinou que fosse devolvida à família biológica, apesar dos problemas de alcoolismo que os técnicos referenciaram na mãe.
O pai, um imigrante ucraniano, vive actualmente em Espanha. Na semana passada, a criança, que fala apenas português, passou a viver com a mãe e a avó numa cidade russa, a 350 quilómetros de Moscovo.
Lusa / SOL
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