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Saúde
Estudo indica asma e bronquite como doenças que mais afectam os ciganos
As doenças respiratórias, como a asma e a bronquite, são as que mais afectam a comunidade cigana e estão relacionadas com as más condições de habitabilidade, conclui um estudo elaborado pela Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, hoje apresentado no Porto
 
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«Quando comparamos com a população portuguesa, encontramos notórias diferenças que podem estar relacionadas com as condições de vida desta população», explicou à Lusa Sandra Araújo, coordenadora técnica nacional da rede e uma das responsáveis pelo trabalho.

Segundo a técnica, «52 por cento dos inquiridos vivem em condições insalubres, em bairros ou em acampamentos».

Os dados foram apresentados no seminário As Comunidades Ciganas e a Saúde: um primeiro retrato nacional, realizado no âmbito de um projecto europeu, desenvolvido desde Novembro de 2007 em parceria com seis países da União Europeia.

O objectivo era conhecer indicadores de saúde das comunidades ciganas em Portugal e estabelecer uma primeira comparação com a população em geral.

Foi realizado um questionário a 367 famílias (1673 pessoas), distribuídas por 12 distritos.

A maioria da população inquirida considera a sua saúde boa (82 por cento) e as doenças que mais prevalecem são a asma e bronquite (25 por cento), seguido do colesterol elevado (15 por cento) e tensão arterial alta (11 por cento).

Do ponto de vista sócio-demográfico, Sandra Araújo salientou que se trata de uma população «extremamente jovem», com uma pirâmide etária bastante diferente da portuguesa.

Cerca de 60 por cento da população tem até 24 anos, englobando 39,7 por cento de crianças com menos de 15 anos de idade.

Em relação aos níveis de escolaridade, constatou-se que 52,3 por cento da população inquirida não possui quaçquer nível de escolaridade, sendo que 36,9 por cento são iletrados e nove por cento não sabem ler, nem escrever.

Cerca de 38 por cento da população adulta possui o ensino primário completo e apenas 0,4 por cento possui o ensino secundário completo.

O estudo revela ainda que a maior parte da população inquirida (84 por cento) é inactiva, destacando-se os desempregados/com trabalho informal com 45 por cento e 27,4 por cento vivem de reformas e outros benefícios sociais.

Os restantes 16 por cento constituem população activa, sendo quatro por cento trabalhadores por conta própria e apenas dois por cento trabalhadores por conta de outrem e indivíduos com trabalho sazonal/temporário.

Oito por cento possuem negócios familiares.

Em relação ao tabaco e ao álcool, comparativamente aos restantes seis países europeus envolvidos no projecto, «a comunidade portuguesa em regra consome menos, mas a idade de início de consumo é bastante mais cedo. No tabaco a média é aos 13 anos e no álcool é aos 14 anos», disse Sandra Araújo.

Em relação aos outros países parceiros, há também diferenças em relação a questões de escolarização e inserção no mercado de trabalho, estando Portugal abaixo da média.

«Feito o diagnóstico, o próximo passo é fazer chegar as conclusões aos decisores políticos no sentido de tentar influenciar as medidas políticas dirigidas às comunidades ciganas», disse Sandra Araújo.

Lusa / SOL



 

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