Em declarações à Agência Lusa, João Dias da Silva defendeu ser «fundamental que se clarifique» nesta reunião a intenção do ME relativamente à estrutura da carreira docente, particularmente quanto ao «fim da divisão dos professores em duas categorias» (professor e professor titular).
«É necessário que fique assente que essa divisão vai ser anulada», declarou o dirigente da FNE.
Para João Dias da Silva, outra questão que «é necessário que fique esclarecida na reunião é relativa ao processo de avaliação de desempenho, designadamente em relação ao ciclo avaliativo de dois anos que está agora a terminar». A FNE pretende que «não haja impactos das avaliações já concluídas, em termos de graduação profissional ou de aceleração do desenvolvimento da carreira, devido ao carácter de injustiça que marcou em muitas circunstâncias este processo».
A FNE espera também a abertura de um processo negocial com vista à determinação de um novo modelo de avaliação, «nem que seja transitório para 2009/2010, com vista a que durante o percurso deste ano se possa construir um modelo mais sustentado e duradouro que possa vigorar a partir de 2010 e que valorize aquilo que é o trabalho do professor», que seja «simplificado» e não burocratizado.
Também António Avelãs, do secretariado da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), disse à Agência Lusa esperar que esta primeira reunião «seja um bom começo».
«Partimos com uma atitude de abertura e de esperança. Portanto, aquilo que desejamos é que em relação às grossas matérias de educação que estão em cima da mesa - nomeadamente este imbróglio criado pela avaliação de desempenho e revisão da carreira - a reunião seja a primeira de uma série de reuniões que tenha como objectivo fazer com que a paz regresse às escolas».
Na semana passada, na abertura do debate sobre o programa do Governo no Parlamento, o primeiro-ministro afirmou que o Governo está disponível para «melhorar e aperfeiçoar» a avaliação dos professores, mas não para «destruir», dizendo que a ministra da Educação tomará «de imediato» a iniciativa do diálogo com os sindicatos.
Ainda no mesmo dia, a nova ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou que não há nenhum aspecto do Estatuto da Carreira Docente e da avaliação de desempenho que não possa ser alterado, manifestando-se confiante de que é possível encontrar «em breve» uma solução.
Reconhecendo que a avaliação dos professores tem sido um factor de «agitação», a ministra disse pretender criar «um clima diferente», transformando a «polémica» em «comunicação efectiva e diálogo».
Lusa / SOL
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