O vice-presidente do BCP com funções suspensas e ex-ministro do Partido Socialista Armando Vara voltou a clamar inocência no caso Face Oculta, ao final de 8 horas de interrogatório no DIAP de Aveiro.
À saída, e em resposta a questões dos jornalistas, Vara garantiu que nunca recebeu dinheiro do empresário Manuel Godinho, mas apenas «uma caixa de robalos» e um equipamento desportivo «para o filho».
Descreveu ainda a relação com Godinho como um «relacionamento bancário» e garantiu ter feito «centenas, senão milhares» de almoços e jantares com empresários, fruto das suas funções.
«Eu nunca tive nenhum tipo de atitude que favorecesse as empresas de Manuel Godinho. Ele era cliente do banco onde eu trabalhava, eu tinha uma relação profissional com ele e mais nada», declarou.
«Não pedi dinheiro a ninguém, não recebi dinheiro de ninguém, tudo é inventado», acrescentou.
Comentando a referência a escutas que envolvem Vara e José Sócrates, o ex-ministro declarou que são «conversas privadas e como tal devem manter-se».
O Ministério Público acredita que Vara terá favorecido empresas de Manuel Godinho movendo contactos junto de empresas públicas, em troca de pelo menos dez mil euros, que terão sido pagos em dinheiro no escritório do vice-presidente do BCP.
Vara não conheceu ainda as medidas de coacção a que ficará sujeito como arguido do caso Face Oculta.
SOL