«Às vezes, penso em desistir mas quando me sinto a desanimar começo a pensar no que eu e os meus pais trabalhámos para juntar aquele dinheiro, e ganho logo forças», contou à Lusa Isabel Freitas, que, desde quinta-feira, está a viver numa tenda à porta da agência do BPN, na Avenida da Boavista, no Porto.
Isabel Freitas confessa que a noite de sexta-feira foi difícil de suportar, com o frio e a humidade a testar a sua capacidade de resistência.
«Tive tanto frio que fui obrigada a telefonar a um cliente [do BPN] para me trazer mais um edredão e, depois do que choveu, a tenda está húmida, mas vou continuar aqui até alguém me dizer quando recebo o meu dinheiro», disse à Lusa Isabel Freitas.
Há cinco dias em greve de fome, que iniciou durante uma manifestação de clientes, a ex-funcionária da Qimonda garante que está a aguentar-se, acrescentando que «os nervos» há muito lhe tiraram o apetite, e bebe água e chá quando o estômago reclama.
«Bebo muito chá e muita água para encher o estômago», contou, mostrando as garrafas térmicas que «algumas pessoas deixaram para estar mais quente».
Isabel Freitas diz que, além dos outros clientes do BPN, tem recebido apoio e ajuda de pessoas anónimas, que lhe levam agasalhos palavras de ânimo.
«As pessoas dizem para ter fé em Deus que tudo se há-de resolver», disse, revelando «sentir-se abandonada pelo Estado português» que, acrescentou, «devia zelar pelos nossos interesses».
Desempregada da Qimonda há cerca de dois meses, Isabel, com 36 anos, exige a devolução dos 50 mil euros que garante ter depositado «sem risco» em papel da Sociedade Lusa de Negócios Valor (maior accionista da SLN, que detinha o BPN até à nacionalização), na agência da Avenida da Boavista.
«A aplicação venceu a 4 de Agosto, mas não me entregam o dinheiro. Estão sempre a empurrar para a SLN Valor, mas sinto-me enganada porque foi no BPN que depositei e disseram-me que era uma aplicação a prazo, com capital garantido e boa taxa», disse à Lusa.
Lusa / SOL