Falando de pé, rompendo uma tradição em que o chefe de Governo surgia sentado, o primeiro-ministro salientou então que o ano de 2009 iria ser «difícil e exigente para todos», razão pela qual o dever do seu Governo seria «não ficar à espera que os problemas se resolvam por si próprios».
«Pela minha parte, e pela parte do Governo, quero garantir-vos que não temos outra orientação que não seja defender o interesse nacional neste momento particularmente difícil. E defender o interesse nacional é usar todos os recursos ao nosso alcance, com rigor, sentido de responsabilidade e iniciativa, para ajudar as famílias, os trabalhadores e as empresas a superarem as dificuldades, e para incentivar o investimento económico que gera riqueza e emprego», disse.
De resto, os discursos de Natal de José Sócrates - sexta-feira será o seu quinto - são habitualmente centrados na situação económica e social do país.
Em 2007, o primeiro-ministro manifestava-se confiante de que Portugal estaria em 2008 mais bem preparado para enfrentar os desafios e incertezas da economia global, no ano em que o défice orçamental ficou abaixo dos três por cento e o crescimento económico próximo dos dois por cento.
Em 2006, o tom foi ainda mais optimista, com o chefe de Governo a defender que a economia, as contas públicas e o emprego estavam a melhorar «passo a passo» em Portugal, sublinhando que esse foi o ano em que «as coisas começaram finalmente a melhorar», embora de forma gradual.
«Melhorou a confiança - nos consumidores e nos empresários. Melhorou a economia - com previsões de crescimento económico acima de todas as expectativas. Melhoraram as nossas exportações - as empresas portuguesas estão a vender mais e melhor no mercado global», salientava há três anos o primeiro-ministro.
Na sua primeira mensagem de Natal como primeiro-ministro, em 2005, José Sócrates classificou esse como o ano da mudança na vida do país e apelou à «compreensão e cooperação» dos portugueses para continuar o rumo que o Governo está a seguir.
«Sabemos todos que há muitas coisas que é preciso mudar em Portugal para que possamos garantir aqui um futuro melhor, para nós e para os nossos filhos. Pois essa mudança já começou. Finalmente começou», disse em 2005.
Este ano, Sócrates vai dirigir-se pela primeira vez aos portugueses como chefe de um Governo minoritário e com uma situação económica bem mais difícil do que há alguns anos: as previsões de Outono da Comissão Europeia estimam uma deterioração do défice orçamental português de 2,6 por cento do PIB, em 2008, para 8,0 por cento em 2009 e em 2010.
De acordo com Bruxelas, a economia portuguesa vai decrescer 2,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Para 2010 o crescimento previsto é de 0,3 por cento e para 2011 de 0,1 por cento. A taxa de desemprego estimada para este ano e para 2010 é de nove por cento.
Lusa / SOL