A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) não deu como provada a interferência do Governo de José Sócrates no final do Jornal de Sexta da TVI. O Conselho Regulador da ERC concluiu que Juan Luís Cébrian e outros administradores espanhóis da Media Capital, proprietária da TVI, consideravam que o noticiário de Moura Guedes podia «pôr em causa as relações com as entidades governativas». E admitiu que «a administração da TVI não foi indiferente às críticas públicas de dirigentes do PS, especialmente do primeiro-ministro». Mas, no final do inquérito, a ERC concluiu que Sócrates e o PS não usaram «mecanismos ilegítimos, com o objectivo de pressionar a decisão de suspender o Jornal de Sexta».
Estas conclusões foram aprovadas com o voto contra do vogal Luís Gonçalves da Silva – que considerou que o poder político condicionou, de facto, a TVI neste caso.
Afinal, diz a ERC, a única ilegalidade na suspensão do telejornal de Moura Guedes, líder de audiências, foi cometida «pela administração da TVI que, à revelia do director de informação, decidiu suspender» o noticiário.
Entre outros factores, a decisão deveu-se «ao peso e impacto das reacções públicas de crítica» de dirigentes do PS, «nomeadamente o primeiro-ministro». Com essa suspensão, a Prisa, empresa espanhola proprietária da Media Capital, queria «normalizar as relações entre a TVI e o Governo», concluem os conselheiros.
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