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Antropólogo português faz parte do grupo
Cientistas revelam evolução dos primeiros homens modernos
Um estudo elaborado por vários cientistas, entre eles um investigador português da Universidade de Lisboa, revelou que os primeiros seres humanos modernos vindos de África há 40.000 anos continuaram a evoluir através do contacto com os Neandertais
 
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O estudo, publicado hoje na revista Proceedings of the National Academy of Sciencies, foi elaborado por um grupo de cientistas europeus e norte-americanos, entre os quais o arqueólogo português João Zilhão, professor do Departamento de Arqueologia da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e professor auxiliar do Instituto de Arqueologia da Universidade Nova de Lisboa.

Os cientistas compararam os traços físicos nos restos de crânios dos primeiros seres humanos modernos, encontrados em 2003 na caverna Petera Cu Oase, no Sudoeste da Roménia, com outras amostras do mesmo período Plistocénico.

Segundo o estudo, as diferenças entre os crânios sugerem «uma complexa dinâmica demográfica, à medida que os seres humanos modernos se dispersavam na Europa».

O estudo indica que os fosseis comparados - fragmentos cranianos e de uma mandíbula - têm mais ou menos a mesma idade (35.000 a 40.500 anos, respectivamente) e constituem o conjunto craniano do ser humano moderno mas antigo jamais encontrado na Europa, assim como a melhor prova da sua aparência física.

Um comunicado divulgado na semana passado pela revista «Science» assinala que os primeiros seres humanos modernos estabeleceram-se no Este da Europa, nas margens do Rio Don, depois de terem chegado, oriundos da Africa subsahariana, há cerca de 45.000 anos.

Os científicos indicaram na revista National Proceedings of the National Academy of Sciences que a comparação dos fragmentos cranianos romenos com os outros crânios revelou características dos seres humanos actuais, como também dos Neandertais, porém, também características importantes que não se apresentam na moderna estrutura óssea da cabeça.

Segundo os especialistas, estas diferenças incluem um achatamento frontal, uma protuberância mastóide bastante grande, assim como molares superiores com uma progressão no tamanho, característica dos Neandertais.

Segundo João Zilhão, as diferenças colocam interrogações importantes sobre o desenvolvimento morfológico dos seres humanos, uma vez que estas «podem ser o resultado de uma regressão evolutiva ou o reflexo de uma amostra paleontológica incompleta da diversidade humana no Paleolítico Médio».

«Também podem constituir prova de uma mistura com as populações Neandertais, à medida que esses seres humanos se propagavam através da Europa ocidental», acrescentou.

Segundo o arqueólogo português, o resultado desta combinação podem ter sido características arcaicas dos Neandertais e combinações especiais que surgiram da mistura de traços de diferentes conjuntos genéticos.

Para Zilhão, a resolução final de estas questões vai ter de aguardar pelo estudo de outras amostras fósseis dos primeiros seres humanos que povoaram a Europa, como também de outros espécimes que intervieram na sua evolução morfológica.

Mesmo assim, o português assinala que os estudo dos crânios, encontrados na Roménia somam-se a «um conjunto já existente de evidencias fósseis, genéticas e arqueológicas que indicam uma importante interacção biológica e cultural entre os seres humanos modernos e as populações anatomicamente arcaicas, incluindo os Neandertais, com os quais se iam encontrando no seu avanço até Europa ocidental».

Segundo Erik Trinkhaus, professor de antropologia da Universidade de Washington, a descoberta dos restos cranianos na Roménia demonstra a evolução permanente do ser humano.

João Zilhão, doutorado em Arqueologia pré-histórica pela Universidade de Lisboa, foi designado em 1996 responsável pelo projecto de criação do Parque Arqueológico do Vale da Côa, que dirigiu até 1997.

Devido as gravuras rupestres, o Vale da Côa mantêm a categoria de monumento nacional, e em 1998, foi considerado Património Mundial da UNESCO.

Lusa/SOL



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