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Astronomia
Novos indícios reforçam teoria da existência de vida em Marte
A multiplicação de indícios da presença de água em Marte reforça a teoria de que terá existido vida naquele planeta e poderá ainda existir no seu subsolo, consideram cientistas reunidos na Califórnia
 
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«Estou convencido de que encontraremos um dia sinais de vida em Marte», declarou David Des Marais, da NASA, no congresso anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS), que decorre em São Francisco.

«Dispomos de numerosas indicações de que Marte teve água em abundância», sublinhou por seu lado Stephen Clifford, astrónomo do Instituto Lunar e Planetário de Houston (Texas).

Além dos novos índices geológicos que atestam a presença de água, referidos na edição de quinta-feira da revista Science, Stephen Clifford citou outros, como vales, margens e depósitos de sedimentos do que terão sido lagos ou mares, ou talvez mesmo um oceano.

De facto, imagens recentes transmitidas pela câmara de alta definição da sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA mostram camadas mais claras nas linhas de fractura de um desfiladeiro, interpretadas como um testemunho da infilt ração de água no soco [base] rochoso há várias centenas de milhões de anos ou ma is.

«Na Terra, esse tipo de descoloração da rocha indica claramente interacções químicas entre os fluidos que circulam entre a fractura e o soco da rocha», ex plicou Chris Okubo, investigador da Universidade do Arizona e principal autor do estudo publicado na Science.

Este astrogeólogo disse também numa conferência de imprensa com outros especialistas em Marte que esse fenómeno pode também indicar ciclos de depósitos de materiais consecutivos e subsequentes a chuvas, ventos ou a uma actividade vulcânica.

Acrescentou que as linhas de fractura entre camadas de rochas são também indicações sólidas de que o subsolo de Marte contém agua, e que isso poderá ser detectado pelos radares das sondas MRO e a europeia Mars Express.

Observações recentes revelaram já sinais da presença actual de água no subsolo de Marte, sendo aí que poderá existir vida, já que a superfície do planeta é demasiado hostil, segundo David Des Marais.

Em Dezembro passado, uma análise das imagens enviadas pela sonda Mars Global Surveyor mostrou a formação, nos últimos anos, de duas pequenas ravinas numa cratera, levando a pensar que haverá ainda hoje água a correr no planeta vermelho.

Desde 2000, os astrónomos que estudam essas fotografias observaram milhares de sulcos ao longo das paredes de crateras, cujas características fazem crer que se trataria de escoamentos de água ou torrentes de lama.

Outro sinal da eventual presença de vida no subsolo de Marte foi a recente detecção de metano na atmosfera marciana, um gás que é produzido por bactérias.

A estratégia actual da exploração de Marte fundada no princípio da procura de água e dos seus traços será acompanhada pela busca de fontes possíveis de energia necessárias à vida, indicou Tori Hoehler, um cientista da NASA.

Segundo os cientistas, a exploração de Marte exige uma abordagem multidisciplinar para determinar com certeza se existiu ou ainda existe vida naquele planeta, escolhido pela NASA como próximo destino para uma missão exploratória humana.

Lusa/SOL



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