O governador civil de Bragança, Jorge Gomes, disse desconhecer a ameaça dos roedores que afecta há várias semanas centenas de municípios espanhóis e que já chegou a povoações próximas da fronteira com Bragança.
A informação foi avançada hoje pela União de Pequenos Agricultores de Zamora (UPA), que afirma que «o problema dos roedores deixou de ser apenas da comunidade de Castela e Leão para se converter num problema internacional».
De acordo com a UPA, já foram detectados roedores nas povoações da comarca de Aliste, limítrofes com Portugal, próximas de vários concelhos do norte do Distrito de Bragança.
A organização agrícola espanhola refere que «o único obstáculo é actualmente o rio Douro» e estima que entre «400 e 750 milhões de roedores tenham afectado já milhares de hectares de pelo menos 621 municípios espanhóis, continuando a sobreviver apesar de fortes campanhas de combate lançadas pelas autoridades e pelos agricultores».
O Governo Civil de Bragança garantiu não ter recebido qualquer alerta das autoridades espanholas, nem em termos de Protecção Civil nem de saúde pública.
O governador Jorge Gomes soube da notícia pela Lusa e disse que vai tentar esclarecer a situação junto das autoridades espanholas.
A mesma diligência pretende tomar o dirigente regional da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Mário Joaquim Abreu Lima, que desconhecia também a ameaça para Portugal, quando contactado pela Lusa.
O dirigente associativo confirmou saber do problema em Espanha, mas afirmou não ter «qualquer indicação nem de associados, nem das congéneres espanholas, de que a praga esteja a penetrar em Portugal».
Adiantou que vai contactar as congéneres espanholas para se inteirar do problema e considerou que, a confirmar-se, «exige medidas urgentes, não só pelos eventuais prejuízos para a agricultura, mas também pelas potenciais epidemias que os ratos transportam».
Nas últimas semanas o problema tem sido debatido em Espanha, com as autoridades a defenderem o uso de veneno, os agricultores a optarem por queimadas ou armadilhas e os ecologistas a alertarem para o perigo do veneno.
Agricultores chegam a encontrar e a matar três a quatro mil roedores por dia, que depois enterram ou queimam com cal.
A praga já trouxe outra, a de moscas verdes que se alimentam das carcaças dos roedores e que também já se começaram a fazer sentir em grande número.
Igualmente preocupante é o aumento do número de casos de tularémia, uma doença conhecida como a «febre do coelho» e causada pela bactéria Francisella tularensis.
Tipicamente rural, a doença é normalmente encontrada em roedores, coelhos e lebres, podendo ser transmitida ao homem e a outros animais.
A Junta da comunidade de Castela e Leão confirmou já 42 novos casos na última semana, elevando para mais de 200 o número de afectados desde o inicio do ano - comparativamente a apenas seis no ano passado.
Oficialmente, a doença não está a ser directamente vinculada com os roedores, mas as autoridades não descartaram essa relação.
Lusa / SOL
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