Mais de 500 pessoas juntaram-se esta tarde no Terreiro do Paço para assinalar os 100 anos do assassínio do Rei D.Carlos e do seu filho, o príncipe herdeiro Luís Filipe, com um minuto de silêncio, no local onde ocorreu o regicídio
A cerimónia começou pouco depois das 17h com a chegada da família de D. Duarte a que se seguiu um minuto de silêncio em memória do Rei e do príncipe.
Como já era esperado o exército não participou na homenagem e o Governo também não se fez representar. Ainda assim não faltaram caras conhecidas como Paulo Teixeira Pinto, Carmona Rodrigues, o ex-ministro Gomes da Silva e o presidente do PNR Pinto Coelho.
Entre bandeiras monárquicas e gritos de «Viva o Rei!» viam-se as caras solenes das várias centenas de pessoas entre burburinhos de descontentamento pela atitude do governo que Luís Baena classifica de «perfeita imbecilidade».
Para este militar o dia 1 de Fevereiro de 1908 foi «o princípio do fim, a morte de um Chefe de Estado que foi mártir».
José Maria Duque, um jovem de 22 anos, critica a proibição da participação das Forças Armadas: «O que aconteceu há cem anos foi um atentado por razões que ainda hoje existem e além disso o governo não é capaz de distinguir questões de ideologia de actos políticos».
Matilde Mendes de 19 anos explica que participou na cerimónia por lamentar o atentado: «Quando mataram o Rei morreu a figura de autoridade do povo»
O discurso no Terreiro do Paço ficou entregue ao padre Pedro Quintela que descreveu D.Carlos como «um Rei Nobre e Valente» que foi morto por «balas de ódio, cegueira e injustiça e ressentimento».
A cerimónia terminou com a deposição de uma coroa de flores, pelo herdeiro da Casa Real, D. Duarte Pio, e pelo seu filho, junto à lápide que assinala o local onde o Rei foi mortalmente alvejado.
Foi na esquina da R. Arsenal com o Terreiro do Paço que, Manuel Buiça e Alfredo Costa, atentaram contra a família real.