«Se tudo correr bem, será devolvida à Natureza dentro de duas semanas», revelou o biólogo, sublinhando que, se os testes de virologia derem negativos, o animal será metido num avião e irá para um parque de recuperação na Cornualha, sul de Inglaterra, que depois o lançará ao mar.
Quando foi detectada pelo vigilante de Natureza da zona de Peniche, a 21 de Janeiro, a foca cinzenta bebé - uma fêmea - estaria a ser agredida por populares, em plena praia, agressões de que terão resultado boa parte das feridas que ostentava quando chegou ao parque marinho de Albufeira.
«Normalmente não é esse o tipo de reacção dos humanos perante estes achados, mas esta fonte é fidedigna e realmente o animal tinha muitas feridas recentes», observou o biólogo marinho.
Contactado o Zoomarine, a foca desceu ao Algarve no mesmo dia e foram imediatamente limpas as feridas e feito o desmame, já que, segundo o especialista, verificou-se que o animal nunca tinha ingerido comida sólida.
«Verificámos isso pela sua reacção ao peixe, mas agora já está a comer uma dieta de cavala e carapau», assinalou.
Ao que se julga a foca deverá ter sido arrastada por correntes do seu habitat natural, no Norte da Europa, depois de ter sido abandonada pela mãe - o que é normal na espécie -, para se alimentar no mar.
«O que salva estes animais deste tipo de incidentes é que, quando a mãe os abandona, eles criaram uma grande camada de gordura, que lhes permite sobreviver vários dias, e terá sido isso que aconteceu», afirmou Élio Vicente, informando que à chegada ao parque da Guia o mamífero marinho pesava 21,6 quilos.
Existem várias colónias de focas cinzentas no Atlântico Norte, as mais meridionais das quais na zona do Canal da Mancha e Cornualha.
No Inverno - quando são maiores -, as fêmeas podem atingir 1,80 metros e 200 quilos, enquanto os machos chegam aos 2,60 metros de comprimento e 260 quilos.
Lusa / SOL