O Ministério Público (MP) pretende constitui-lo arguido e interrogá-lo por «fortes indícios da prática do crime de participação económica em negócio e abuso de poder», lê-se na carta enviada no fim de Janeiro pelo Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra ao presidente do Parlamento, Jaime Gama. Pereira Coelho será ainda sujeito à medida de coação mínima – termo de identidade e residência.
O inquérito começou com uma denúncia feita por um advogado de Coimbra, Pedro Trilho y Blanco, envolvendo também Duarte Silva, presidente da Câmara da Figueira da Foz, e Mário Maduro, director de Urbanismo da mesma autarquia. Para já, ao que o SOL apurou, não está previsto que Duarte Silva e Mário Maduro sejam constituídos arguidos.
Além dos crimes pelos quais Pereira Coelho será constituído arguido, a investigação suspeita também da prática dos crimes de corrupção e de prevaricação.
Está em causa a venda de dois terrenos municipais na marginal da Figueira da Foz para a construção de um hotel que o DIAP de Coimbra e a Polícia Judiciária investigam desde 2005. O SOL teve acesso a parte da documentação que está sob investigação.
Tudo começa em 1999. Mandatado por Pedro Santana Lopes, então presidente da Câmara da Figueira, para implementar uma «piscina oceânica» naqueles terrenos municipais, o vereador Miguel Almeida encontra-se com Valentim Loureiro (presidente da Liga de Clubes), João Bartolomeu e António Bastos (administradores da União de Leiria e sócios da empresa Proabita), no Grande Hotel da Figueira da Foz, a 28 de Julho. A Proabita tinha começado a comprar meses antes as propriedades vizinhas dos terrenos da autarquia.
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