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Entrevista ao SOL
«Queda da natalidade em Portugal abre a porta a gente vinda do terror», diz D. José Policarpo
O Cardeal Patriarca de Lisboa diz ao SOL que a falta de crianças abre as portas da sociedade a gente vinda do terror, do Ocidente e do Oriente, e incentiva o Governo a ir mais longe neste campo
 
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«Queda da natalidade em Portugal abre a porta a gente vinda do terror», diz D. José Policarpo

Estamos na Páscoa. Na comunidade cristã quantos sabem o significado real da morte e ressurreição de Cristo e quantos confundem esta época com ovos de chocolate e férias no Algarve?

A dimensão comercial das festas é mais notória no Natal do que na Páscoa. À pergunta de quantos são, não sei responder. É um bocado difícil e nem merece a pena contá-los: esta é uma época em que muita gente sai das grandes cidades para ir para as suas terras. Mas há pessoas que têm consciência da centralidade da Páscoa, que vivem as cerimónias e se preparam. Pessoas para quem a Páscoa é mesmo a Páscoa.

Não estava a falar em contagem, mas em termos de fenómeno. O que nos reconduz à questão da evangelização.

 O que se passa com a Páscoa é o mesmo que se passa com toda a Igreja. Há um núcleo consciencializado, pessoas que procuram viver o melhor que podem o ministério cristão. Depois há um segundo grupo – são aqueles que vão às vezes à missa, que têm uma referência fundamental aos actos da Igreja, mas que não fazem necessariamente o esforço no dia-a-dia de viver a Páscoa. E depois há um grupo, muito maior, de gente que tem uma memória já muito mais difusa, embora porventura alguns desses ainda recorram ao baptismo dos filhos ou à presença de um padre no momento da morte. Para estes há todo um esforço de acolhimento e de evangelização, de anúncio. Por definição os baptizados deveriam ser membros activos da igreja e procurar viver o ministério cristão, mas há muitas pessoas que já não acreditam ou que têm uma tese muito desiludida. É um efeito dos países de velha cristandade.

Há toda uma geração que só recorre à Igreja no casamento e no funeral. No resto da sua vida vive de costas voltada para a sua fé. Diz que a Igreja faz tudo para os acolher. Faz o quê?

É uma atitude. Nós estamos a valorizar muito toda a prospecção dos actos sacramentais, toda a proposta de uma catequese nessas ocasiões. A Igreja é um sinal. Nós não temos medidas para saber como é que uma pessoa se sente interpelada no seu íntimo. Há casos muito curiosos de pessoas que ouviram a palavra e só muitos anos depois é que isso dá fruto, numa auto revisão da vida, num momento de sofrimento, com o próprio envelhecimento, num momento de doença ou pura e simplesmente de evolução interior. Vem portanto aí a verdadeira frase de São Paulo: ‘Uns são os que semeiam, outros os que colhem’. A Igreja não pode de maneira nenhuma ter os critérios de eficácia das empresas humanas: traçar objectivos, defender mecanismos para os atingir e avaliar resultados. Na Igreja isso não dá. Agora é um facto que na Europa, sobretudo na Europa Ocidental, há muitos que falam no oposto da cristandade, que houve um afastamento sobretudo numa linha de uma secularização. Hoje é uma questão cultural, e é uma questão de Antropologia em que muitos dizem que o Homem mais depressa pensa que se pode resolver sozinho, com as suas forças, do que acredita em Deus e sabe que Deus é uma força da sua vida.

Mais depressa se vai a um psiquiatra do que a um padre...

Exactamente. É tudo uma perspectiva cultural que tem por trás uma Antropologia que tem repercussões dentro da própria Igreja, em que o Homem pensa que se basta a si mesmo e que pode resolver sozinho todos os seus problemas. E só se dá conta que isso não é assim quando choca com o mais difícil, com o mais intransponível ou quando na sua catarse interior vai fazendo esse caminho. Esse é o grande problema da cultura europeia.

Continue a ler esta entrevista na edição impressa disponível nas bancas espalhadas por todo o país



 

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