
Munidos de cartazes contra o Governo, os manifestantes gritaram contra as novas medidas. © Andreia Félix Coelho/SOL
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), no seu discurso em frente ao MAI, acusou o secretário de Estado adjunto da Administração Local, Eduardo Cabrita, de «chantagear» os autarcas com a questão da privatização da água.
«Ou privatizam os serviços da água, ou não damos fundos comunitários para obras», referiu Francisco Braz como sendo a política do Governo. Deu ainda como exemplo um autarca do Minho que ontem afirmou ter sido «vítima» desta «política chantagista».

Célia Correia veio de Évora para contestar «a crise, os salários que não aumentam e as carreiras congeladas». © Andreia Félix Coelho/SOL
O dirigente sindical sublinhou que os «fundos comunitários não são de Sócrates mas de todos nós». «Para não chamar vigarista ao governante», disse Francisco Braz , «prefiro dizer que não tem qualificações. Este homem é um mentiroso!».
O sindicalista relembrou ainda que o Governo não se reunia com os trabalhadores há sete anos e que, em Novembro passado, a pedido do próprio Governo, o sindicato enviou as questões que queriam ver discutidas. «Até hoje ainda não tivemos respostas».

«Com esta política terei de trabalhar muitos mais anos. Tinha a minha vida programada de outra forma. Esta gente só nos mente», desabafa Ana Custódio. © Andreia Félix Coelho/SOL
No que diz respeito ao diploma de vínculos e carreiras, o presidente do STAL deu como exemplos a carreira de um técnico superior que actualmente começa por ter um salário de 1070 euros e que, com a nova política, o valor é reduzido para 977 euros.
«Eles chamam a isto valorização. Isto é roubo!», gritou indignado. Na nova política, disse o sindicalista, há carreiras que se iniciam com o salário mínimo nacional.

Para chegar ao topo da carreira «deveria demorar nove anos». «Agora vão ser pelo menos 30. Nem sei se serei viva», ironiza Ludovina Sousa. © Andreia Félix Coelho/SOL
Trabalhadores do Norte ao Sul
A trabalhar há 17 anos na Câmara Municipal de Loures, Ana Maria Custódio, vê os seus planos de vida levarem uma reviravolta com o aumento da idade da reforma proposto pelo Executivo de Sócrates.
«Estou próxima da idade da reforma e com esta política terei de trabalhar muitos mais anos. Tinha a minha vida programada de outra forma. Esta gente só nos mente», disse ao SOL.
Já Ludovina Sousa, funcionária da Câmara de Melgaço há 13 anos, garante que para chegar ao topo da carreira «deveria demorar nove anos». «Agora vão ser pelo menos 30. Nem sei se serei viva», ironiza.
A trabalhar numa junta de freguesia de Évora, Célia Correia, viajou até à capital para contestar «a crise, os salários que não aumentam e as carreiras congeladas».
Ao som de Zeca Afonso e Sérgio Godinho, os manifestantes foram-se juntando sem incidentes e com pouco ânimo nas palavras de ordem. «É preciso, é urgente, uma política diferente!».
Da Praça do Comércio, os trabalhadores da Administração Local seguiram para São Bento para entregar uma resolução no gabinete do primeiro-ministro, José Sócrates.
Este protesto insere-se na semana de luta da função pública que culmina na sexta-feira com uma greve manifestação dos trabalhadores da administração central.
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